Investindo no Mercado
Ações como Formação de Patrimônio
Embora o folclore do mercado destaque sempre casos de investidores que auferiram astronômicos ganhos de curto prazo na bolsa, não deve ser esta a expectativa de quem decide investir em ações.
Por ser a ação um investimento de renda variável, o investidor nunca deve comprometer na sua aquisição recursos que serão necessários para despesas correntes ou gastos previstos a curto prazo, sob pena de ter de se desfazer de sua posição em momento desfavorável.
É recomendável que o investidor, qualquer que seja o seu porte, diversifique seus investimentos entre diversos ativos e dedique às ações aquela parcela de recursos sobre a qual tenha um perspectiva de retorno de médio e longo prazos. É com este horizonte temporal que atuam os investidores institucionais.
É importante, também, que o investidor seja bem assessorado ao decidir suas aplicações. Acompanhar o noticiário econômico, seguir as publicações legais das companhias, acessar informações específicas requer esforço e conhecimentos técnicos especializados. Os intermediários financeiros dispõem de profissionais voltados à análise de mercado, de setores e de companhias, e junto a eles o investidor poderá se informar acerca do correto momento de comprar e vender determinada ação para obter melhores resultados.
O investidor pode, ainda, buscar orientação sobre formas coletivas de investimento como clubes e fundos de investimento, sob a administração de instituições e intermediários financeiros. Caso o investidor opte por deles participar através da aquisição de quotas, a decisão de quando, como e onde aplicar no mercado acionário os recursos dos vários quotistas é de responsabilidade destas instituições e intermediários. Mensalmente, o investidor recebe o extrato demonstrativo de sua posição e pode, a qualquer momento, informar-se sobre a evolução das quotas, calculada e divulgada diariamente.
Não importa a forma pela qual se invista, se individual ou coletivamente. O importante é saber que a ação é, principalmente, uma importante alternativa de formação de patrimônio.

Diversificação de Investimentos
Diversificação de investimentos é o termo técnico utilizado para designar a antiga recomendação de que "não se deve colocar todos os ovos na mesma cesta".
Assim, da totalidade de seus recursos, o investidor - quer se trate de pessoa física, pessoa jurídica ou institucional - deve separar o montante que estará comprometido com gastos de curto prazo e com pagamentos em datas fixas (agregada uma pequena folga para imprevistos) e destiná-lo a aplicações financeiras de curto prazo ou até mesmo mantê-lo em disponibilidade imediata.
Da parcela passível de investimento a médio e longo prazos, poderá destinar parte à aplicações de renda fixa e parte à operações de renda variável (ou seja, uma aplicação cujo rendimento não se conhece "a priori" e que pode até ser negativo), sendo as proporções determinadas pela propensão a correr riscos em busca de maiores retornos.
Em princípio, quanto mais conservador, maior a parcela dedicada aos investimentos de renda fixa; quanto mais agressivo, maior a exposição aos mercados de renda variável. A moderna gestão de fundos e carteiras consegue, contudo, diminuir as diferenças de relação risco-retorno desses dois tipos de investimento através do uso de derivativos. Estes são instrumentos financeiros sofisticados, cujo valor se baseia em outro ativo, os quais propiciam a montagem de estratégias de proteção ("hedge") ou, contrariamente, de alavancagem.
Dentre as alternativas de investimento em renda variável destaca-se o investimento em ações. Quando este é realizado com expectativa de retorno de médio/ longo prazos, o risco intrínseco a qualquer aplicação que não estipule rendimento predeterminado está minimizado. Não se trata mais da questão "de comprar na baixa e vender na alta", associada, basicamente, a fatores conjunturais. O risco passa a estar condicionado ao desempenho/ resultados da companhia dentro de um horizonte temporal mais amplo.
Se, por hipótese, a partir das diversas modalidades de análise, conclui-se que as perspectivas serão favoráveis ao crescimento econômico, com ganhos bem distribuídos de poder aquisitivo pela média da população, daí resultando a previsão de que infra-estrutura, bens de consumo, comércio varejista e construção civil serão setores com maior potencial de lucratividade, o mercado acionário permite a diversificação do investimento entre todas as alternativas elencadas.
Isso amplia a probabilidade de retorno médio, ou seja, talvez um destes setores tenha comportamento divergente do esperado, proporcionando menor ganho ou até mesmo perda, mas dificilmente todos os demais apresentarão igual desvio.

O Perfil do Investidor
A estabilidade econômica abriu a possibilidade para uma mudança estrutural de visão por parte do investidor: a preocupação maior de defesa contra a inflação - isto é, de manutenção do poder aquisitivo - cedeu lugar ao objetivo claro de obter ganho de capital.
A realidade que se apresenta ao investidor atualmente é distinta e a oferta de produtos é diversificada, atendendo a todos os tipos de investidores: do mais conservador ao mais agressivo.
A tendência do mercado brasileiro é a de tornar-se cada vez mais semelhante aos mercados desenvolvidos: com a participação preponderante de investidores institucionais e com aplicações nas quais os melhores retornos estão associados a riscos e prazos maiores.
O investimento em ações exige do investidor a definição de seu perfil quanto ao horizonte temporal disponível, ao grau de risco aceito e da forma de investimento (se individual ou coletiva).
Geralmente, ninguém entra em um empreendimento hoje para sair dele amanhã. Este comportamento até pode ocorrer, mas denota ou falta de um processo mais acurado na análise preliminar do negócio, ou a alteração súbita e imprevisível das condições vigentes (divergências societárias intransponíveis, alterações macroeconômicas radicais, mudança na legislação que inviabilize a continuidade do negócio).
A compra de uma ação representa decisão análoga à de investir em outro negócio, embora seja operacionalmente muito mais simples e desburocratizada.
Não obstante a agilidade oferecida pelo mercado acionário para movimentações de entrada e saída, os maiores ganhos derivam da combinação de boas análises, adequada execução de ordens e determinação em aguardar o cumprimento da trajetória esperada.
Ao mesmo tempo, é preciso flexibilidade para rever essa mesma previsão, frente a novas informações que venham a surgir e alterar estruturalmente os fundamentos da avaliação original.
Esta combinação aparentemente antagônica entre determinação e flexibilidade é o registro de sintonia fina aperfeiçoado diariamente pelos profissionais de mercado e constitui seu grande diferencial relativamente ao investidor comum.
FONTE: BOVESPA
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