ECONÔMIA
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Política Monetária e Operações de Crédito do Sistema Financeiro
Janeiro/2009

I - Evolução dos agregados monetários

    A média dos saldos diários da base monetária alcançou R$142 bilhões, apresentando queda de 2,5% em janeiro e mantendo estabilidade relativamente a igual período de 2008. O saldo médio do papel-moeda emitido recuou 4,4% no mês, enquanto a posição de reservas bancárias subiu 3,7%, ainda refletindo a expansão sazonal dos depósitos à vista em dezembro.

    Os fluxos mensais dos fatores de emissão monetária registraram expansões de R$10 bilhões nas operações do Tesouro Nacional, de R$536 milhões no compulsório sobre depósitos a prazo e de R$306 milhões no depósito prévio para compensação de cheques. No sentido contracionista, os ajustes nas operações com derivativos contribuíram com R$1,7 bilhão e as operações do setor externo, com R$3 bilhões, resultantes das vendas líquidas de divisas pelo Banco Central no mercado interbancário de câmbio.

    As operações com títulos públicos federais, incluindo a atuação do Banco Central no ajuste de liquidez do mercado monetário, resultaram em contração de R$16,4 bilhões
    em janeiro. No mercado secundário, as vendas líquidas somaram R$77,1 bilhões, ante resgates líquidos de R$60,7 bilhões no mercado primário.

    O saldo médio diário dos meios de pagamento restritos (M1) situou-se em R$209,1 bilhões em janeiro, com declínio de 4,2% no mês e expansão de 4,8% em doze meses. Os saldos médios do papel-moeda em poder do público e dos depósitos à vista apresentaram retrações respectivas de 4,1% e 4,3% no mês. Em doze meses, o saldo médio do papel-moeda em poder do público cresceu 13,3%, enquanto os depósitos à vista apresentaram-se praticamente estáveis.

    Considerado o conceito M2, que agrega ao M1 os depósitos para investimentos, os depósitos de poupança e os títulos emitidos pelas instituições financeiras, o estoque de meios de pagamento recuou 1,3 p.p., para R$1,1 trilhão, refletindo a retração do M1. Não obstante, os saldos de títulos privados e de depósitos de poupança apresentaram crescimentos mensais de 1,7% e de 0,7%, respectivamente.

    O saldo de M3, conceito que agrega ao M2 as quotas de fundos de renda fixa e os títulos públicos federais que dão lastro à posição líquida de financiamentos em operações compromissadas entre o público e o setor financeiro, subiu 0,1% em relação ao mês anterior, atingindo R$1,9 trilhão. O agregado M4, que compreende o M3 mais os títulos públicos de detentores não financeiros, apresentou saldo de R$2,2 trilhões em janeiro, com altas de 0,6% no mês e de 15,7% em doze meses.

II - Operações de crédito do sistema financeiro

    O estoque total das operações de crédito do sistema financeiro atingiu R$1.230 bilhões em janeiro, apresentando crescimentos de 0,2% no mês e de 30,1% em doze meses. Esse volume correspondeu a 41,2% do PIB, comparativamente ao patamar de 34,2% alcançado em janeiro de 2008.

    O desempenho do mercado de crédito esteve condicionado à redução sazonal na demanda por parte do setor produtivo e ao crescimento, também sazonal, nas operações contratadas pelas famílias.

    O crédito concedido pelos bancos públicos manteve tendência de crescimento, atingindo 15,1% do PIB, comparativamente a 14,9% em dezembro e a 11,7% em janeiro do ano anterior. Os saldos referentes às instituições privadas nacionais e estrangeiras corresponderam, em janeiro, a 17,6% e a 8,5% do PIB, respectivamente, permanecendo praticamente estáveis em relação ao mês anterior.

    As operações de crédito fundamentadas em recursos livres totalizaram R$870,3 bilhões em janeiro, retração de 0,2% no mês e crescimento de 30,4% em doze meses, representando 70,8% do total concedido pelo sistema financeiro. O desempenho mensal resultou do incremento de 1,3% nas carteiras de pessoas físicas, que atingiram R$399,4 bilhões, e da redução de 1,4% nos financiamentos contratados por pessoas jurídicas, com saldo de R$470,9 bilhões, assinalando-se as contrações de 1% nos recursos domésticos e de 3,2% nas operações lastreadas em recursos externos.

    Os empréstimos com recursos direcionados alcançaram R$359,5 bilhões em janeiro, com expansões de 1,1% no mês e de 29,5% em relação a igual período de 2008. Os financiamentos efetuados pelo BNDES, que correspondem a 58,8% do segmento, aumentaram 1,2% no mês, alcançando R$211,3 bilhões, prevalecendo a evolução de 2,1% nas operações contratadas com repasses a instituições financeiras. As carteiras correspondentes aos segmentos habitacional e rural registraram acréscimos mensais de 1,9% e de 0,5%, totalizando R$60,9 bilhões e R$78,4 bilhões, respectivamente.

II.1 - Distribuição setorial do crédito

    O volume de crédito ao setor privado, incluindo recursos livres e direcionados, situou-se em R$1.202 bilhões em janeiro, com elevação de 0,2% relativa a dezembro. O moderado crescimento esteve condicionado por componentes sazonais, refletindo, principalmente, a menor demanda de crédito por parte do setor produtivo, em período de baixa atividade mercantil.

    No que diz respeito à segmentação por ramo de atividade, os empréstimos destinados ao comércio atingiram R$122,7 bilhões, com retração mensal de 1,7%. Os financiamentos contratados pela indústria mostraram declínio de 0,8% no mês, recuando para R$294 bilhões, com ênfase para a liquidação de contratos com o ramo químico. As operações realizadas com o segmento de outros serviços somaram R$219,8 bilhões, revelando estabilidade no período. A carteira de crédito rural alcançou R$106,6 bilhões em janeiro, com elevação de 0,2% no mês, influenciada pelos desembolsos para o custeio da safra 2008/2009.

    Os financiamentos destinados à habitação, que compreendem pessoas físicas e cooperativas habitacionais, totalizaram R$64,4 bilhões em janeiro, com evolução mensal de 1,7%. As demais operações contratadas pelas pessoas físicas atingiram R$394,7 bilhões, com expansão de 1,3% no mês. Essas operações, após registrarem arrefecimento característico de final de ano, em função da liquidez associada ao décimo terceiro salário, mostraram recuperação no início de 2009, evidenciando a concentração de compromissos financeiros nesse período.

    A dívida bancária do setor público aumentou 1,6% comparativamente a dezembro, atingindo R$27,7 bilhões. Esse resultado refletiu elevações de 1,3% nas operações contratadas com os governos estaduais e municipais, volume de R$18,1 bilhões, e de 2,3% no crédito destinado ao governo federal, que se situou em R$9,5 bilhões.

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