ECONÔMIA
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Política Monetária e Operações de Crédito do Sistema Financeiro
Agosto/2008

I - Evolução dos agregados monetários

    A base monetária, avaliada pela média dos saldos diários, atingiu R$133,9 bilhões em agosto, registrando queda de 0,5% no mês e crescimento de 14,1% em doze meses. Entre seus componentes, o saldo médio do papel-moeda emitido elevou-se 1,2%, enquanto as reservas bancárias recuaram 4,7%.

    Os fluxos mensais dos fatores de emissão monetária registraram contrações de R$10,3 bilhões na conta única do Tesouro Nacional, de R$2,2 bilhões na exigibilidade adicional sobre depósitos e de R$1,3 bilhão nos ajustes das operações com derivativos. Em sentido inverso, as operações do setor externo produziram expansão de R$2,1 bilhões, resultante das compras líquidas de divisas pelo Banco Central no mercado interbancário de câmbio.

    As operações com títulos públicos federais, incluindo a atuação do Banco Central no ajuste de liquidez do mercado monetário, determinaram expansão de R$14,6 bilhões no mês. Esse resultado decorreu de compras líquidas de R$24,1 bilhões no mercado secundário e de colocações líquidas de R$9,5 bilhões de títulos do Tesouro Nacional no
    mercado primário.

    O saldo médio diário dos meios de pagamento restritos (M1) alcançou R$188 bilhões em agosto, apresentando redução de 1% no mês e aumento de 10,1% em doze meses. O saldo médio do papel-moeda em poder do público cresceu 1,1%, ao passo que os depósitos à vista declinaram 2,5%. Referidos componentes, em doze meses, expandiram-se 17,9% e 5,3%, respectivamente.

    Os meios de pagamento no conceito M2, que agrega M1, depósitos para investimentos, depósitos de poupança e títulos emitidos pelas instituições financeiras, elevaram-se 4,7% no mês e 36% em doze meses. O saldo das cadernetas de poupança cresceu 1,1% em agosto e 19,6% em doze meses, somando R$254,8 bilhões. Os títulos privados avançaram 8,5% no mês e 61,8% em doze meses, registrando saldo de R$504,5 bilhões, influenciado pelas captações líquidas de R$35,4 bilhões dos depósitos a prazo.

    O conceito M3, que agrega ao M2 as quotas de fundos de renda fixa e os títulos públicos federais que dão lastro à posição líquida de financiamentos em operações compromissadas realizadas entre o setor não financeiro e o público financeiro, registrou alta mensal de 1,9%, com saldo de R$1,8 trilhão. O saldo de M4, que compreende o M3 mais os títulos públicos de detentores não financeiros, atingiu R$2,1 trilhões em agosto, com crescimento de 1,7% no mês e de 20,4% em doze meses.

II - Operações de crédito do sistema financeiro

    Em agosto, as operações de crédito do sistema financeiro mantiveram a trajetória de expansão observada nos períodos anteriores, evidenciando, entretanto, arrefecimento nas operações destinadas a pessoas físicas. Os financiamentos contratados pelas famílias - traduzindo a redução de dinamismo das modalidades de crédito pessoal e de
    financiamentos para aquisição de veículos - vêm revelando ritmo de crescimento menos acentuado, movimento contrário à atratividade sustentada das operações de arrendamento mercantil. No que concerne ao setor empresarial, manteve-se expressiva a demanda de recursos bancários fundamentados em recursos domésticos, impulsionada pela procura por capital de giro. Ao mesmo tempo, o comportamento das carteiras lastreadas em recursos direcionados permanece condicionado pelo crescimento dos financiamentos realizados pelo BNDES, destinados, preferencialmente, a investimentos em infra-estrutura, conjugado com a expansão dos financiamentos voltados à habitação.

    Nesse contexto, o crédito total do Sistema Financeiro Nacional, consideradas as operações com recursos livres e direcionados, totalizou R$1.110,4 bilhões em agosto,
    expandindo-se 2,3% no mês e 31,8% em doze meses. Como resultado, a relação entre esse agregado e o PIB alcançou 38%, ante 37,2% em julho último e 32,8% em agosto de 2007. Observada a segmentação de acordo com o controle de capital das instituições financeiras, os financiamentos efetuados pelos bancos privados nacionais somaram R$494,1 bilhões, correspondendo a 44,5% do total do sistema financeiro, com evolução mensal de 2,7%. As carteiras das instituições estrangeiras aumentaram 1,9% no mês, atingindo R$235,9 bilhões, enquanto as dos bancos públicos, participação relativa de 34,3%, registraram acréscimo mensal de 1,9%.

    As operações de crédito realizadas com recursos livres, 71,9% do total da carteira do sistema financeiro, somaram R$797,8 bilhões, elevando-se 2,5% no mês e 35% em relação a agosto do ano anterior. O resultado mensal evidenciou, em particular, a manutenção da tendência expansionista dos empréstimos a pessoas jurídicas referenciados em recursos internos, saldo de R$348 bilhões e incremento de 3,6%, assim como das operações lastreadas em recursos externos, volume de R$74,6 bilhões e aumento de 2,2%. Os financiamentos contratados com pessoas físicas totalizaram R$375,2 bilhões, com acréscimo mensal de 1,5%, desempenho influenciado, principalmente, pela ampliação de 4,5% nas operações de leasing, cujo estoque situouse em R$51,3 bilhões.

    O volume das operações de crédito com recursos direcionados alcançou R$312,5 bilhões, revelando expansões de 1,6% no mês e de 24,3% em relação a agosto do ano anterior. O desempenho no mês resultou, principalmente, da elevação de 1,4% nos financiamentos realizados pelo BNDES, cujo saldo de R$178,6 bilhões correspondeu a 57,1% do total das operações no segmento de recursos direcionados. Contribuiu para essa evolução o aumento de 3,4% no saldo de crédito concedido diretamente pelo BNDES, em contrapartida ao declínio de 0,3% nas operações de repasses a instituições financeiras. Os financiamentos destinados aos segmentos habitacional e rural registraram aumentos mensais de 3,6% e de 0,6%, totalizando R$53 bilhões e R$72,9 bilhões, respectivamente.

    Os desembolsos realizados pelo BNDES totalizaram R$51,9 bilhões, nos oito primeiros
    meses do ano, expandindo-se 40,3% em relação ao valor registrado em período correspondente do ano anterior. Essa evolução foi sustentada pelo aumento de 64,1% nas contratações do segmento de comércio e serviços, saldo de R$27,1 bilhões, destacando-se as operações para os ramos de transporte terrestre, telecomunicações e eletricidade e gás. As concessões para a indústria somaram R$21,1 bilhões, com incremento de 22,6%, refletindo as liberações destinadas aos setores de produtos alimentícios e de veículos, reboques e carrocerias. As contratações relativas às micro, pequenas e médias empresas, correspondentes a 25,2% do total de desembolsos, atingiram R$13,1 bilhões, com elevação de 31,5% no período.

    As consultas formuladas ao BNDES, que representam potenciais desembolsos do setor produtivo, alcançaram R$118,5 bilhões, de janeiro a agosto, volume 56,6% superior ao verificado em igual período de 2007. A demanda por novos projetos foi mais expressiva no segmento de comércio e serviços, volume de R$67,6 bilhões e expansão de 58,7%, com destaque para a área de eletricidade e gás. As solicitações da indústria aumentaram 59,3%, com ênfase para os setores de metalurgia, papel e celulose e produtos alimentícios.

II.1 - Distribuição setorial do crédito

    O estoque de crédito ao setor privado, incluídas as operações com recursos livres e direcionados, totalizou R$1.089,9 bilhões em agosto, expandindo-se 2,2% em relação a julho e 32,3% em doze meses. Em termos setoriais, os crescimentos mais expressivos se deram nos créditos destinados à indústria e ao comércio.

    Os financiamentos contratados com a indústria somaram R$254,6 bilhões, com aumento mensal de 2,5% explicado, sobretudo, pelas concessões de recursos aos ramos de energia, siderurgia e metalurgia, além das atividades relacionadas ao agronegócio. As operações destinadas ao comércio alcançaram R$117,4 bilhões, elevando-se 4,1% no mês, com destaque para os ramos de automóveis, alimentos e móveis. Os empréstimos contratados com o segmento de outros serviços registraram evolução de 2,3% no mês, atingindo R$191,3 bilhões, com ênfase para telecomunicações, transportes e arrendamento de veículos.

    A carteira de crédito rural atingiu R$99,6 bilhões, com expansão de 0,8% no mês, concentrada nas modalidades de comercialização e investimento agrícolas. Os financiamentos concedidos ao setor habitacional atingiram R$56,2 bilhões, crescendo 3,6% no mês, com ênfase para a utilização de recursos da caderneta de poupança e do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). Os novos desembolsos com recursos da caderneta de poupança somaram R$14,9 bilhões no trimestre encerrado em julho, elevando-se 79,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. Esse desempenho esteve associado ao aumento de 68,3% nos financiamentos realizados sob as regras do Sistema Financeiro de Habitação (SFH), participação relativa de 85,7% no total concedido ao setor. O número total de moradias financiadas cresceu 65,4% em igual período.

    A dívida bancária do setor público situou-se em R$20,4 bilhões, com acréscimo mensal de 4,9%, refletindo, principalmente, a concessão de recursos para a área de infraestrutura. Esse desempenho resultou do avanço de 2% nos financiamentos concedidos a estados e municípios, saldo de R$15,9 bilhões, traduzindo a demanda dos segmentos de energia e saneamento básico, conjugado com o aumento de 16,3% nas operações contratadas pelo governo federal, volume de R$4,6 bilhões, com destaque para as empresas do setor elétrico.

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