ECONÔMIA
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Setor Externo - Janeiro/2009

I - Balanço de pagamentos - Janeiro de 2009

    O balanço de pagamentos registrou déficit de US$2,2 bilhões em janeiro. As transações correntes foram deficitárias em US$2,8 bilhões no mês, comparativamente a US$4 bilhões no mesmo mês de 2008. Com esse resultado, o déficit em transações correntes acumulado em doze meses até janeiro reduziu-se US$1,3 bilhão, atingindo US$27 bilhões, equivalente a 1,75% do PIB. A conta financeira apresentou ingressos líquidos de US$361 milhões. No mês, destacaram-se os ingressos líquidos de investimentos estrangeiros diretos, US$1,9 bilhão; e a saída líquida de investimento estrangeiro em carteira, US$2,3 bilhões.

    A conta de serviços apresentou déficit de US$553 milhões em janeiro, 45,8% inferior ao registrado para o mesmo mês de 2008. As despesas líquidas com transportes somaram US$182 milhões, redução de 35,7% na mesma base de comparação. O item viagens internacionais registrou despesas líquidas de US$251 milhões, ante déficit de US$380 milhões em janeiro do ano anterior, com reduções de 23,8% nos gastos com viagens ao exterior e de 17,3% nas receitas. Dentre os demais itens da conta de serviços, no mesmo período comparativo, ocorreu elevação nas despesas líquidas de aluguel de equipamentos, 10,3%. Houve declínio nas despesas líquidas com computação e informações, 16,5%; seguros, 17,8%; royalties e licenças, 38,8%; e serviços governamentais, 78,8%. Os outros serviços registraram ingressos líquidos de US$945 milhões, 21,5% superiores ao resultado do mesmo mês do ano anterior.

    As remessas líquidas de renda para o exterior somaram US$2 bilhões no mês, redução de 53,3% em relação a janeiro do ano anterior. As saídas líquidas de renda de investimento direto totalizaram US$539 milhões, ante US2,1 bilhões no período comparativo, constituídas quase que inteiramente pelas despesas líquidas de lucros e dividendos. As remessas líquidas de renda de investimentos em carteira sofreram redução de 38,5% no período em análise, atingindo US$1,1 bilhão, resultantes de despesas líquidas de lucros e dividendos e de juros de títulos de renda fixa, US$248 milhões e US$804 milhões, respectivamente. A despesa líquida de renda de outros investimentos somou US$454 milhões.

    No mês, as transferências unilaterais acumularam ingressos líquidos de US$312 milhões, 3,7% inferior ao resultado de 2008.

    Os investimentos brasileiros diretos no exterior registraram retorno líquido de US$3 milhões, em janeiro, compreendendo US$291 milhões em retorno líquido de participação no capital de empresas no exterior e US$289 milhões de concessões líquidas de empréstimos intercompanhias.

    Os investimentos estrangeiros diretos somaram ingressos líquidos de US$1,9 bilhão. Os ingressos líquidos em participação no capital de empresas no País, incluídas as conversões em investimentos, atingiram US$892 milhões, enquanto os desembolsos líquidos de empréstimos intercompanhias totalizaram US$1 bilhão.

    Os investimentos estrangeiros em carteira apresentaram saídas líquidas de US$2,3 bilhões no mês. Os investimentos em ações e em títulos de renda fixa, ambos negociados no País, apresentaram remessas líquidas de US$2,2 bilhões, comparados a US$441 milhões registrados no mês anterior. Os bônus negociados no exterior apresentaram ingressos líquidos de US$859 milhões, decorrentes de ingressos de US$1 bilhão, provenientes do lançamento do Global 19N, amortizações de US$129 milhões e ágio de US$37 milhões referentes às recompras de papéis soberanos. Os investimentos em notes e commercial papers apresentaram amortizações líquidas de US$627 milhões no mês, ante US$1,7 bilhão em dezembro do ano passado. As amortizações líquidas em títulos de curto prazo somaram US$404 milhões em janeiro, comparados a US$3,2 bilhões, no mês anterior.

    Os outros investimentos brasileiros no exterior resultaram em remessas líquidas de US$97 milhões em janeiro, compreendendo concessão líquida de empréstimos, US$219 milhões, constituição de depósitos de bancos brasileiros no exterior, US$350 milhões, e redução de depósitos de demais setores, US$812 milhões.

    Os outros investimentos estrangeiros no País registraram ingressos líquidos de US$831 milhões em janeiro. O crédito comercial de fornecedores registrou ingressos líquidos de US$921 milhões. Os empréstimos aos demais setores apresentaram amortizações líquidas de US$91 milhões, resultado de desembolsos líquidos de créditos de compradores, US$217 milhões, e de empréstimos diretos, US$85 milhões, e de amortizações líquidas de organismos e agências, respectivamente, US$200 milhões e US$85 milhões. Os empréstimos de curto prazo somaram amortizações líquidas de US$107 milhões em janeiro.

II - Reservas internacionais

    As reservas internacionais no conceito de liquidez, incluindo os estoques de linhas com recompra e de empréstimos em moeda estrangeira, somaram US$200,8 bilhões em janeiro, com diminuição de US$6 bilhões frente ao apurado no mês anterior. No conceito caixa, as reservas alcançaram US$188,1 bilhões, com redução de US$5,7 bilhões em relação à posição do final de 2008.

    No período analisado, as intervenções da Autoridade Monetária resultaram em vendas líquidas de US$2,6 bilhões, compostas por vendas à vista no mercado doméstico de câmbio, US$2,9 bilhões; compras de US$1,6 bilhão, decorrente de retornos de operações de linha com compromisso de recompra; e vendas de US$1,3 bilhão em operações de empréstimo em moedas estrangeiras. Destaque-se, ainda, a receita de US$509 milhões com a remuneração das reservas, enquanto as demais operações, que incluem variações de preço e de paridades, entre outras, reduziram o estoque em US$3,6 bilhões.

    O estoque das operações de venda de moeda estrangeira com compromisso de recompra totalizou US$6,8 bilhões, enquanto aquele das operações de empréstimo em moedas estrangeiras contra garantias em títulos soberanos somou US$5,9 bilhões.

III - Dívida externa

    A dívida externa total estimada para janeiro atingiu US$199,6 bilhões, com redução de US$615 milhões em relação à posição estimada para dezembro de 2008. No período, a dívida externa de médio e longo prazos diminuiu US$192 milhões, resultado do aumento de US$418 milhões na dívida do setor público não-financeiro e da redução de US$610 milhões na dívida dos setores privado e público financeiro. Ainda no mesmo período, a dívida externa de curto prazo reduziu-se em US$423 milhões.

    Durante o mês de janeiro, os principais fatores de variação da dívida externa de médio e longo prazos foram desembolsos líquidos de bônus, US$896 milhões, e de buyers, US$217 milhões; além das saídas líquidas de organismos internacionais, US$200 milhões, e de Notes, US$643 milhões. Adicionalmente, a variação por paridade contribuiu para uma redução de US$431 milhões na dívida externa, apurada em dólares.

    A diminuição de US$423 milhões da dívida externa de curto prazo, estimada em US$37 bilhões, deveu-se às saídas líquidas de empréstimos diretos em moeda e de financiamentos.

Fonte: Banco Central do Brasil

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