ECONÔMIA
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Setor Externo - Agosto/2008

I - Balanço de pagamentos - Agosto de 2008

    O balanço de pagamentos registrou superávit de US$1,9 bilhão em agosto. As transações correntes apresentaram déficit de US$1,1 bilhão, acumulando, nos últimos doze meses, déficit de US$21,9 bilhões, equivalentes a 1,45% do PIB. No mês, o saldo comercial atingiu US$2,3 bilhões e a conta financeira apresentou ingresso líquido de US$2,6 bilhões, destacando-se os ingressos líquidos de investimentos estrangeiros diretos, US$4,6 bilhões.

    A conta de serviços foi deficitária em US$1,4 bilhão, resultado 32,8% superior ao apresentado no mesmo mês de 2007. O item viagens internacionais registrou despesas líquidas de US$523 milhões, aumento de 108,1% na mesma base de comparação, resultante do crescimento de 49,8% nos gastos de brasileiros em viagens ao exterior e de 15,8% nos gastos de não-residentes em viagens ao Brasil. No período analisado, as despesas líquidas com transportes apresentaram elevação de 25,8%, somando US$418 milhões. Dentre os demais itens da conta de serviços, destacaram-se a elevação nas despesas líquidas de aluguel de equipamentos, 33%, e em serviços de computação e informações, 24,5%, e a redução nas despesas líquidas em seguros, 69,1% e em royalties e licenças, 9,3%. Os outros serviços registraram ingressos líquidos de US$640 milhões, 14,9% acima do resultado de agosto de 2007.

    As remessas líquidas de renda para o exterior alcançaram US$2,3 bilhões no mês, acréscimo de 49,2% em relação ao mesmo mês do ano anterior, resultante da elevação de 20,8% nas despesas e da redução de 22,5% nas receitas. As saídas líquidas de renda de investimento direto e em carteira atingiram, respectivamente, US$1,5 bilhão e US$463 milhões. As despesas líquidas com lucros e dividendos, incluindo investimentos diretos e em carteira, somaram US$1,9 bilhão, aumento de 39,4%. A despesa líquida com juros, US$387 milhões, foi 94% superior em relação ao resultado de agosto de 2007.

    Os investimentos brasileiros diretos apresentaram saídas líquidas de US$3,4 bilhões, em agosto, compreendendo US$2,7 bilhões em aquisição líquida de participação no capital de empresas no exterior e US$678 milhões de concessões líquidas de empréstimos intercompanhia.

    Os investimentos estrangeiros diretos somaram ingresso líquido de US$4,6 bilhões em agosto, acumulando US$32,7 bilhões nos últimos doze meses, ou 2,17% do PIB. No mês, os ingressos líquidos em participação no capital de empresas no país, incluídas as conversões em investimentos, somaram US$4,3 bilhões, enquanto os desembolsos líquidos de empréstimos intercompanhias totalizaram US$336 milhões.

    Em agosto, os investimentos estrangeiros em carteira registraram saldo líquido de US$747 milhões, comparativamente a US$4,2 bilhões no mês anterior. Os investimentos líquidos em ações foram negativos em US$1,6 bilhão, referentes a ações negociadas no país, uma vez que os recibos de ações de companhias brasileiras negociados no exterior registraram ingressos líquidos de US$17 milhões. Os títulos de renda fixa negociados no País apresentaram captações líquidas de US$1,3 bilhão em agosto, comparados aos US$4,2 bilhões no mês anterior. As amortizações líquidas de bônus negociados no exterior somaram US$1 bilhão. As notes e commercial papers registraram ingressos líquidos de US$30 milhões, comparados a US$73 milhões no mês anterior. Os investimentos líquidos em títulos de curto prazo somaram US$1 bilhão.

    Os outros investimentos brasileiros no exterior resultaram em saídas líquidas de US$2,2 bilhões, compreendendo US$65 milhões de redução de depósitos de bancos brasileiros no exterior e US$1,8 bilhão de constituição de ativos dos demais setores. A concessão líquida de empréstimos brasileiros a não-residentes alcançou US$413 milhões.

    Os outros investimentos estrangeiros no País somaram, liquidamente, US$2,6 bilhões, em agosto. O crédito comercial de fornecedores registrou amortizações líquidas de US$140 milhões, com desembolsos líquidos nas operações de médio e longo prazos, US$107 milhões, e amortizações líquidas nas de curto prazo, US$248 milhões. Os empréstimos somaram ingressos de US$2,7 bilhões, dos quais US$2,2 bilhões referentes a empréstimos de médio e longo prazos, com destaque para créditos de organismos, US$1 bilhão, e de compradores, US$664 milhões.

II - Reservas internacionais

    As reservas internacionais atingiram US$205,1 bilhões em agosto, valor US$1,6 bilhão superior ao observado no mês anterior.

    As compras liquidadas de divisas no mercado doméstico de câmbio totalizaram US$1,2 bilhão. Entre as operações externas, sobressaíram a receita de US$609 milhões referente à remuneração das reservas e o pagamento de US$4 milhões de juros sobre alocações ao FMI, enquanto as demais operações, que incluem variações de preço e de paridades, entre outras, reduziram o estoque em US$253 milhões.

III - Dívida externa

    A dívida externa total apurada para o mês de junho atingiu US$205,5 bilhões, aumento de US$3,9 bilhões em relação à posição apurada para o trimestre anterior. Nesse período, a dívida externa de médio e longo prazos aumentou US$1,6 bilhão, resultado da diminuição de US$534 milhões na dívida do setor público não-financeiro e do crescimento de US$2,1 bilhões na dívida dos setores privado e público financeiro. Ainda, no mesmo período, a dívida externa de curto prazo aumentou US$2,3 bilhões.

    Em agosto, a dívida externa total foi estimada em US$212 bilhões. O aumento de US$6,5 bilhões em relação ao valor apurado em junho concentrou-se no passivo de curto prazo, elevação de US$4,9 bilhões, com a dívida de médio e longo prazos registrando expansão de US$1,6 bilhão.

    No bimestre julho-agosto, os principais fatores de variação da dívida de médio e longo prazos foram os ingressos líquidos de Buyers, US$1,2 bilhão; organismos internacionais, US$1 bilhão; agências governamentais, US$530 milhões; empréstimos diretos, US$365 milhões; Notes, US$106 milhões; e Suppliers, US$42 milhões. Houve saídas líquidas de bônus no período, US$178 milhões. Contribuiu, ainda, para o resultado, a redução estimada de US$1,5 bilhão na dívida externa em dólares, decorrente de variação por paridade.

    Ainda, no período, a dívida externa de curto prazo, estimada em US$46,1 bilhões, variou em função do aumento nas obrigações em moedas estrangeiras dos bancos comerciais, US$2,6 bilhões, e dos ingressos líquidos de empréstimos em moeda e financiamentos, US$2,3 bilhões.

Fonte: Banco Central do Brasil

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