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« Memória Empresarial • ANO XXVIII - Ed. 113 (05/06/1994)

Empresa dá Trabalho e Custa Caro

Empreendedor de verdade não resiste a uma boa oportunidade para gerar um negócio, mesmo que não esteja muito familiarizado com o setor escolhido entre as numerosas opções do mercado. O importante é ter "feeling", força de vontade e, claro, orientação técnica para que o empreendimento se consolide e prospere. Quem mexe com empresa no Brasil sabe o quanto é difícil ter sucesso e como custa caro segurar a barra no meio do tiroteio tributário, da instabilidade econômica e do quadro inflacionário permanente.
A professora Isabel Angélica da Silva Peres sentiu essas dificuldades na pele, quando montou, em 1992, em Itajobi, São Paulo, a Silva Peres Malhas e Uniformes - telefone (0175) 46-1788. Para fazer com que as suas Griffes ColorMalhas e Azul Pistache - a primeira no ramo de uniformes escolares e a outra com artigos variados de malhas - dessem certo, ela precisou de toda a coragem disponível, pois confessa que nada entendia de costura, quando resolveu montar um negócio por conta própria.
Primeiro, em 1992, funcionava só a revenda de uniformes. A confecção de uniformes começou em 1992, com o apoio do marido, dono de uma empresa de informática, que aproveitou uma oportunidade e comprou duas máquinas overloque. Só depois, eles descobriram que era preciso também comprar uma galoneira, para fazer as barras, que custava, sozinha, o preço das outras duas. Essa mistura de intuição e desconhecimento técnico serviu para dar os primeiros passos, mas o que funcionou mesmo foram a dedicação total e o cuidado com a qualidade dos produtos, como Isabel conta no depoimento a seguir.

ERRANDO E APRENDENDO

"Hoje, temos aqui uma fábrica de roupas, uma loja no Shopping West Center, em São José do Rio Preto, e vinte funcionários. Mas, para aprender, tivemos que errar muito no início. O importante é confiar naquilo que você faz e trabalhar muito em cima disso. Meu marido costumava falar que o negócio era arriscado, mas eu acreditava que ia dar certo. Fazer o melhor possível é gratificante, e, para isso, é preciso reconhecer os erros e pensar sobre eles, tentando consertá-los para ter sucesso.
Às vezes, você tem o 'feeling' das coisas, sabe que vai dar certo, mas fica meio perdido e precisa de uma orientação técnica. Felizmente, tivemos a ajuda do SEBRAE/SP, através de um consultor, que apoiou nossas idéias. Aproximamo-nos do SEBRAE/SP porque precisávamos de dinheiro para comprar máquinas. Fizemos alguns cursos, conhecemos pessoas e tivemos um atendimento maravilhoso. Eles me receberam sorrindo e conseguimos, assim, uma consultoria administrativa e financeira extremamente valiosa.
Outro fator de sucesso é o apoio interno. Temos uma equipe muito bem treinada e profissionais competentes nas áreas de modelagem, chefia, corte e costura, que auxiliam em um constante treinamento. A mão-de-obra especializada é muito difícil, então, a gente precisa fazer treinamento e encontrar soluções para os problemas que vão surgindo. Acho importante trabalhar de maneira apaixonada. Isto aqui é como um filho da gente, que começa a andar, está ainda caindo e também se levantando."

O MARKETING DO UNIFORME ESCOLAR
"Normalmente, o mercado do uniforme escolar trabalha mais com preço do que com qualidade. Mas preço segura uma roupa por dois ou três meses, depois já não tem mais nada. Fazemos, então, um trabalho centrado no símbolo da escola, trabalhamos com o logotipo ou até desenvolvemos uma marca para o cliente. Fazemos uma camiseta com detalhes diferentes, com mistura criativa de cores, deixando o produto mais estilizado e bonito.
A maior propaganda que a escola tem é o próprio aluno, que sai para a rua com o uniforme, fazendo as pessoas gravarem aquela imagem. Trabalhamos nesse enfoque, o que é um pouco complicado para muita gente, que fica concentrando-se no preço. A gente sofre um pouco com isso, pois nosso material é bom, de primeira linha. Isso tem dado bons resultados, nós sentimos a confiança dos clientes. Abrimos a firma para eles, mostrando que temos a melhor das intenções e que o nosso trabalho vai ajudá-lo. Todos têm que sair ganhando, e o cliente deve sentir essa vantagem ao escolher você para trabalhar.
Vemos que as pessoas se habituam ao nosso trabalho, e isso vai aumentando a parceria. Quando programam jogos na escola, por exemplo, e é preciso uma camiseta adequada, eles ligam para cá e pedem para a gente desenvolver o novo produto. Muitas pessoas que reclamaram do preço, no ano seguinte ligaram para nós para conversar. Tinham mudado de idéia. Por isso, mesmo quando a gente não fecha negócio, sabemos que não estamos perdendo tempo, pois deixamos uma sementinha na cabeça no cliente e ficamos esperando que ela germine."

NÃO ADIANTA LAMENTAR
"O setor de uniformes pára no meio do ano e só é reativado em novembro. Nesse período, o que vende mais são os produtos que chamamos de modinha. Trabalhamos com malha, cotton, moleton, uma linha de shorts, entre outros produtos. Foi importante diversificar, pois a sazonalidade faria muita pressão no nosso faturamento. Muitas empresas preferem demitir na fase ruim do ano e admitir quando as vendas esquentam. Nós aqui fazemos rodízio de tudo. Cada funcionário sabe mexer em qualquer uma das máquinas, assim, não precisa ficar parado esperando serviço. Nesta região, antes do Plano Cruzado existiam quase cinqüenta confecções, hoje, são no máximo dez. O empresário não tem que ficar atrás de um escritório, lamentando que o vendedor saiu e não conseguiu nada. É preciso correr atrás. Tem problema com a mão-de-obra? É preciso solucionar. Não adianta ficar com sinistrose, ou seja, mania de crise. É claro que a gente sempre fica com um pé atrás, com tantos planos econômicos, com receio de investir. Mas sempre trabalhamos muito para driblar esse tipo de problema."


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