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« Memória Empresarial • ANO XXVIII - Ed. 533 (23/06/2002)

Espera Perigosa

Em tempos repletos de acontecimentos como este, em que a Copa do Mundo e as eleições costumam disputar espaço tanto na mídia quanto na opinião pública, existe a tentação de os empresários se acomodarem para aguardar os resultados dos jogos e das urnas. No entanto, esse compasso de espera, que acaba refletindo-se no comportamento do mercado e adiando ações estratégicas vitais à sobrevivência de uma organização, pode ser fatal àqueles que não souberem identificar o momento certo de parar de observar para começar a tomar decisões. Independentemente da conquista do pentacampeonato ou do novo presidente que será eleito ainda em 2002, a busca por novas oportunidades de negócio em uma economia globalizada deve ser constante e praticada de forma dinâmica. Quem alerta para o perigo dessa tendência à acomodação dos dirigentes empresariais brasileiros é Geraldo Leal de Moraes, autor do livro As 7 Fases da Venda e diretor da MCA Consult - Moraes e Consultores Associados - www.mcaconsult.com.br. Em depoimento exclusivo, ele fala sobre a importância de estender o clima de otimismo verde-amarelo para todas as épocas do ano.

ZONA DE CONFORTO
"O empreendedor brasileiro tem medo de mudanças em razão da sua própria característica pessoal de individualismo. Nesse aspecto, um dos grandes problemas dos dirigentes empresariais é a solidão, a falta de compartilhamento da gestão corporativa que acaba gerando esse medo, além da resistência a sair da zona de conforto provocada por um clima extremamente favorável e pela fartura de recursos naturais. Por não ter vivenciado ainda os desafios de uma economia competitiva em um ambiente hostil, o empresário nacional reage com certo conservadorismo que impede a abertura para novas soluções. O brasileiro só pensa em se ajustar a uma situação quando ela já é uma realidade, ou seja, ele não faz um planejamento prévio e daí tem que usar toda a sua criatividade e a capacidade de adaptação para correr atrás do prejuízo. O empresário tem que ser efetivamente um profissional dentro da empresa, e não agir como se fosse um acionista."

VISÃO HISTÉRICA
"Existe no Brasil a ousadia diante de um fato concreto, mas falta aos nossos empresários um pouco de visão histórica e sistêmica em relação ao futuro. Como não se trabalha com perspectivas, quem não tem essa visão histórica acaba tendo uma visão histérica, pois existe sempre a possibilidade de ser pego de surpresa por algo não previsto. A tendência a adiar decisões em razão de fatores externos pode colocar uma empresa em perigo no sentido da perda de oportunidades, dos próprios funcionários, do tempo e do investimento em capacitação. Uma negociação que deixa de ser feita vai abrir espaço para que outros atuem e conquistem esse espaço no mercado. Convivemos ainda com a distorção provocada pelos trinta anos de inflação, que tiraram dos dirigentes empresariais a capacidade de controlar o caixa e de vir a trabalhar dentro de um orçamento. Por isso, estamos atravessando uma fase de aprendizado e precisamos investir muito nesse aspecto. Como nos acostumamos com margens altas, os custos e as estruturas também se tornaram elevados, e quando essa margem tende a cair, por causa da competitividade, as empresas simplesmente quebram."

AUTO-ESTIMA
"Devemos viver essa sensação de patriotismo que se manifesta atualmente sem esperar o resultado da Copa do Mundo e a definição das eleições. Se fizermos isso, já estaremos revertendo a crise, porque todas as perspectivas referentes ao Brasil são tremendamente favoráveis, uma vez que somos considerados o país que mais irá crescer no século XXI em razão do nosso potencial e da nossa riqueza. O que se questiona é se esse controle estará nas mãos dos capitalistas brasileiros ou das multinacionais. Para não correr esse risco, temos que recuperar a auto-estima da bandeira brasileira e levar produtos e serviços para todo o mundo. O que falta é diálogo com a população, buscando adaptar as estruturas empresariais aos valores das pessoas. Os políticos e os empresários decidem e dão ordens como se ainda estivessem na época das grandes senzalas, e o brasileiro não aceita esse tipo de postura."


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