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« Memória Empresarial • ANO XXVIII - Ed. 853 (10/08/2008)

Para além do oriente

Um antigo ditado japonês diz que, quando alguém trabalha de forma honesta na busca de um objetivo, usando todos os seus esforços para isso, sem prejudicar ninguém a sua volta, mais cedo ou mais tarde a terra e o céu vão garantir-lhe o reconhecimento merecido. Na comemoração dos cem anos da imigração japonesa no Brasil, nada mais justo do que prestar uma homenagem a esse povo que aprendeu a superar as barreiras da língua e da cultura para conquistar seu espaço de forma definitiva em um país distante e desconhecido, mas repleto de oportunidades de negócio. Foi o que percebeu desde cedo o jovem Hirofumi Ikesaki, que veio com os pais ainda criança para trabalhar na lavoura no interior do Estado de São Paulo. Hoje, aos 80 anos de idade, ele destaca-se como um referencial dentro da sua comunidade por ter sido sempre um homem de iniciativas pioneiras. Assim como o nome de família significa ir além do lago, ele descobriu que era possível ir além das atividades agrícolas e vislumbrou no comércio da cidade grande a vocação para o sucesso empreendedor que o levou a fundar oito empresas que compõem hoje o Grupo Ikesaki (www.ikesaki.com.br), atuante na área da distribuição de cosméticos para o varejo e na fabricação de equipamentos para institutos de beleza. Em depoimento exclusivo, ele narra essa façanha com riqueza de pormenores e mostra porque, apesar de todas as dificuldades e privações, a profecia do seu país de origem finalmente se concretizou.

SOBREVIVÊNCIA
"Viemos para São Paulo em 1947 e fomos morar no bairro do Tremembé. Apesar do término da II Guerra, ainda havia muito preconceito. Como não tínhamos profissão nem curso superior, tivemos que arrumar uma casa para ter segurança e para sobreviver, porque viemos da lavoura sem nada. Queríamos vender a fazenda, mas como não encontramos comprador, decidimos aprender o ofício de tintureiro. Naquela época, os imigrantes japoneses trabalhavam como quitandeiros ou tintureiros e, tão logo começamos a prestar esse tipo de serviço, compramos o estabelecimento onde nos instalamos. Estava começando a ser introduzida no mercado a técnica de lavagem a seco, que só existia na região da Consolação. Como nós também aparelhamos o nosso negócio para esse tipo de aplicação, ficamos conhecidos como uma das melhores tinturarias da Zona Norte."


BELEZA
"Quando começaram a aparecer os tecidos de tergal que levaram o segmento ao declínio, resolvi mudar para o ramo de produtos de beleza para institutos de cabeleireiro. Já estava estabelecido no bairro da Liberdade desde 1951, fazendo a distribuição de produtos para lavanderia, quando abri a primeira loja para vender produtos de beleza. Surgiu a maior loja de cabeleireiros do País. O nome Ikesaki explodiu nesse mercado e tornamo-nos líderes de produtos profissionais para salões de beleza em todo o Brasil. Naquela época, existiam cerca de sessenta escolas de cabeleireiro e, depois de fechar o horário comercial, eu visitava uma por uma para propor um convênio com os donos. Tinha que me entrosar com eles, pois quem não enxerga o tamanho e a potencialidade do mercado em que atua não consegue conquistá-lo."


PIONEIRISMO
"Ainda não existia supermercado de cosméticos no mercado brasileiro, e eu queria montar esse negócio na prática, pois percebi que poderia dar certo. Na inauguração da nova loja, o primeiro supermercado de comésticos do Brasil, chamei as senhoras e madames mais importantes da cidade nos anos 70, entre elas a consulesa-geral do Japão. Entreguei convite por convite, falando que era algo totalmente inédito, e todos receberam aquela novidade com muita atenção. Hoje, somos os maiores fabricantes de móveis para salões de beleza e acessórios em geral e também produzimos parte dos cosméticos que comercializamos. Nós devemos muito ao governo brasileiro, que nos acolheu. Aqui tem de tudo, somos todos iguais e as oportunidades são as mesmas. Temos realmente que agradecer este país e comemorar o centenário da imigração japonesa com muita paz e em harmonia com povos de outras origens. Gostaria apenas que pudéssemos ter mais tempo para projetar e preparar as próximas festas, além de poder marcar outras datas comemorativas da nossa chegada ao Brasil."


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