- NOVO PREÇO MÍNIMO DESAGRADA SETOR CAFEEIRO
Com o recente reajuste do preço mínimo do café arábica, malogra tentativa do governo em tentar encontrar denominador comum capaz de atender às expectativas do setor e, ao mesmo tempo, manter o equilíbrio macroeconômico, desagradando produtores e entidades. A queda de braço interna no governo gerou impasse inédito, envolvendo a elevação do preço mínimo do café arábica, que representa 70% da produção do grão no Brasil. Diante do impasse e da pressão dos produtores, a discussão chegou até ao gabinete da Presidência da República. Preocupada em elevar o preço para evitar agravamento da crise no setor cafeeiro, mas temendo um efeito sobre o consumidor, a presidente decidiu por um reajuste inferior, da ordem de 17%. O Conselho Monetário Nacional (CMN) homologou o aumento do valor de garantia do café arábica, de R$ 261,69 para R$ 307,00 a saca de 60 kg, que representa reajuste de 17,3%. O novo preço mínimo passa a valer para a safra que está sendo colhida. Como parte da política de apoio governamental ao setor cafeeiro, além do novo preço mínimo do café arábica, o CMN já havia aprovado, no início do ano, voto proposto pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) com a reprogramação dos vencimentos de estocagem do grão, alongando para 12 parcelas a partir de 31/05/2013. A medida, que alcança tanto os financiamentos de estocagem no âmbito do Funcafé quanto do crédito rural (MCR 6.2) e da poupança rural (MCR 6.4), significa distribuição dos vencimentos, evitando, assim, a concentração de vendas do produto no mercado. A Agricultura encaminhará ao Ministério da Fazenda aviso sobre a distribuição dos recursos do Funcafé para este ano. O CMN deverá aprovar o voto na próxima reunião. Serão R$ 3,1 bilhões para apoiar o custeio, a colheita e a estocagem; o Financiamento para Aquisição de Café (FAC) pela indústria, pelo setor exportador e cooperativas de exportação; e capital de giro para as indústrias de torrefação e de solúvel. O governo colocará à disposição dos cafeicultores todos os instrumentos disponíveis para uma comercialização adequada. Brasília manifesta preocupação em adotar medidas que servirão de base para uma política sólida de apoio ao agronegócio do café.
- SETOR CAFEEIRO CRITICA DECISÃO OFICIAL SOBRE NOVO PREÇO, QUE NÃO CONSEGUE AFASTAR CRISE
Ficou abaixo do valor pleiteado para encerrar a crise do café que assola o País o novo valor de garantia anunciado pelo Ministério da Agricultura (Mapa) na terça-feira (07/05). O mínimo reivindicado pelo setor produtivo era de R$ 336, média nacional de custo de produção da saca, segundo cálculo do próprio Governo federal (Conab). Os presidentes da Federação da Agricultura de Minas Gerais, Roberto Simões, e das Comissões de Café da entidade e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Breno Mesquita, criticaram a decisão da Pasta da Agricultura. “A decisão demonstra insensibilidade do Governo com a gravidade e urgência do problema”, assinalou Simões, após o anúncio. “Rasgaram o cálculo de custo de produção da Conab e não levaram em consideração o trabalho elaborado pela CNA/UFla. A pergunta é: de onde surgiu esse preço ? O que o Ministério da Fazenda levou em consideração para criar esse marco de 307 reais ?” A mesma opinião compartilha o presidente das Comissões Nacional e Estadual de Café, Breno Mesquita. “Uma única palavra: decepção. Apesar de todo o trabalho e o empenho, fica nítido para o setor o desinteresse do Governo Federal com um problema que não é apenas do produtor do café, mas é do prefeito, do governador, do presidente e de todo o povo brasileiro, pela importância da cafeicultura para a geração de emprego e renda e o impacto negativo gerado na economia de milhares de municípios”. Mesquita lembra que o impacto econômico da crise do café afetará mais de oito milhões de cidadãos que dependem de alguma forma da atividade: “Esses são os brasileiros que hoje perguntam ao Governo: de onde veio esse preço ?” Foi intensa a campanha mineira liderada pela FAEMG pela elevação do preço mínimo do café. O valor de garantia de R$ 261 não era revisto desde 2009. Nas últimas semanas, Roberto Simões reuniu-se com o ministro da Agricultura, Antônio Andrade, com o governador de Minas Gerais, Antonio Anastasia, e com a senadora e presidente da CNA, Kátia Abreu, buscando apoio à reivindicação. A entidade mineira promoveu ainda intensa mobilização junto aos produtores, sindicatos, cooperativas e lideranças regionais da cafeicultura no Estado, com envio de centenas de e-mails, telegramas e telefonemas ao Ministério da Agricultura pela aprovação. Segundo o presidente da FAEMG, mesmo com a decisão oficial, a mobilização deve continuar. “O preço mínimo aprovado, de R$ 307, não será suficiente para pôr fim à crise do café. Temos a obrigação de reunir todo o setor e definir uma estratégia para continuar buscando as políticas de mercado que seriam a sequência lógica do processo: opções de compra e Pepro”. Para explicar a origem da atual crise do setor cafeeiro, Breno Mesquita lembra que a expansão progressiva do consumo do grão em todo mundo (crescimento médio de 2% ao ano) pautou um planejamento federal de aumento da produtividade do País para atender à demanda. “Assim, com a safra de ciclo alto do último ano e a safra atual registrando volume superior à média dos anos de ciclo baixo, o mercado tornou-se fortemente especulativo, o que derrubou a cotação do café abaixo dos custos de produção”, assinala. Por sua vez, o presidente da FAEMG, Roberto Simões, afirma que a implementação de políticas de garantia, com preço mínimo corrigido, financiamento e programas de leilões, é medida essencial para sepultar a crise. Não há razão para essa permanência do café em patamares de preços tão baixos. No momento, é preciso discutir novamente uma política de sustentação e de garantia do produtor, que dê novo alento ao mercado”. Simões lembra que a medida já foi utilizada, com sucesso, em cenários semelhantes, sem grande ônus à União. Cita, como exemplo, o programa oficial de opções de compra. “O Governo nunca precisou comprar grandes estoques, basta sinalizar que há garantia e o mercado tende a reagir”, explica. Os baixos preços do café têm impacto direto na economia mineira. O grão é cultivado em 607 dos 853 municípios do Estado, sendo a principal atividade econômica em 340 deles. Se Minas fosse um país, seria o maior produtor global de café. Para se ter uma ideia, no ano-safra 2012/2013, uma em cada cinco xícaras de café consumidas no mundo saiu de Minas Gerais. Maior colheita nos 300 anos de cultivo do grão no Brasil, a safra 2012 totalizou 50,48 milhões de sacas em todo o País, crescimento de 16,1% em comparação com a anterior. Deste total, 26,63 milhões (cerca de 52%) tiveram origem em Minas Gerais, em área plantada de 1,1 milhão de hectares, distribuídos por mais de 600 municípios. Segundo a OIC a produção mundial no período foi de 127,41 milhões de sacas, o que confirma a participação mineira da ordem de 20,9%. Para 2013, safra de ciclo baixo, a produção esperada para o País é de cerca de 47 milhões de sacas, sendo 25,7 milhões produzidas em Minas Gerais. Em 2012, o café respondeu por R$ 11,4 bilhões (produção e indústria), ou 8,6% do PIB do agronegócio mineiro, que somou R$ 132,4 bilhões. O Valor Bruto da Produção de Café em 2012 alcançou R$ 10,9 bilhões, com a saca comercializada a um preço médio de R$ 407,60. O VBP do café representa 31% do valor da soma dos 20 principais produtos agrícolas de Minas Gerais. Para 2013, o VBP de café está estimado em R$ 8 bilhões. O café é também o principal produto de exportação do agronegócio e o segundo na pauta total de Minas Gerais, abaixo apenas do minério de ferro. Em todo o ano de 2012, as exportações de café por Minas Gerais somaram US$ 3,8 bilhões, o equivalente a 48% das vendas internacionais do agronegócio. Os principais destinos foram Alemanha, Estados Unidos, Japão e Itália, que juntos responderam por 59,8% das compras de café. Somente no primeiro bimestre, 2,8 milhões de sacas saíram de Minas rumo ao exterior, gerando rendimento de US$ 561,1 milhões.
- FUNCAFÉ DEVE RECEBER R$ 3,1 BILHÕES
O Ministério da Agricultura confirmou a destinação de R$ 3,1 bilhões ao Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé) nesta safra, para apoiar custeio, colheita e estocagem do café, além de financiar a compra do grão por parte das indústrias, cooperativas e exportadores. O montante também inclui o crédito para capital de giro das indústrias de torrefação e de solúvel, conforme matéria do jornal “O Estado de S. Paulo”. Na safra atual, o governo destinou R$ 2,7 bilhões às linhas de crédito do Funcafé, dos quais R$ 2 bilhões foram liberados até dezembro do ano passado. A Pasta informou que encaminhará ao Ministério da Fazenda aviso sobre as distribuições dos recursos do Funcafé, devendo o voto ser aprovado pelo Conselho Monetário Nacional, na reunião prevista para o próximo dia 23. O governo lembra que, além do reajuste do preço mínimo do café arábica, para R$ 307/saca, o CMN havia aprovado a reprogramação do financiamento de estocagem, que foi alongado para doze parcelas mensais a partir do final do mês.
Para estatal, safra de grãos ultrapassa 184 milhões de toneladas
Praticamente mantida pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) a estimativa para a produção nacional de grãos em 2012/13 em 184,15 milhões de toneladas. No relatório de abril, o sétimo com estimativa para a atual safra, o órgão indicava volume de produção ligeiramente menor - de 184,05 milhões de toneladas. Se confirmados os novos números, irão representar aumento de 10,8%, ou 17,98 milhões de toneladas em relação à safra passada, que foi de 166,17 milhões de toneladas. O maior crescimento esperado na produção brasileira em 2012/13 será na soja, com estimativa de ser 22,8% superior à safra 2011/12. Mas, apesar do número continuar significativo, é inferior à projeção de abril. No relatório que acaba de ser divulgado, a Conab estima que a produção da oleaginosa no País some 81,53 milhões de toneladas, ante 81,94 milhões de toneladas, no relatório anterior. Em relação ao milho, a Conab revisou para cima a estimativa de produção. Considera que a colheita do grão deve somar 77,99 milhões de toneladas. Em abril, a previsão era de 77,45 milhões de toneladas, que representa incremento de 0,69%. O crescimento do milho acontecerá na safra de inverno, que passou do cálculo de 42,68 milhões de toneladas, para 43,19 milhões de toneladas, atualmente. As projeções de área plantada foram praticamente mantidas. Em abril, o cálculo era de 53,04 milhões de hectares em abril, agora o relatório indica 52,98 milhões de hectares. Essa área de plantio representa crescimento de 4,1% em relação à safra passada, com as maiores regiões destinadas ao milho e a soja. Os estudos para esse levantamento foram realizados no período de 22 e 26 de abril.
- CONAB SUSPEITA DE FRAUDES E SUSPENDE SUBSÍDIOS A PRODUTORES DE LARANJA
Contratos de mais de uma centena de produtores tiveram os pagamentos suspensos em razão de suspeitas de fraude. O prejuízo pode atingir R$ 61 milhões. Esse é o resultado de auditoria da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que detectou irregularidades em 42,5% dos leilões de compra de laranja realizados entre outubro do ano passado e janeiro último. Segundo matéria do jornal “O Estado de S. Paulo”, foram identificados indícios, por exemplo, de não haver laranja suficiente para atender aos contratos e até casos de erradicação do pomar. A Conab promoveu 11 leilões de prêmios para equalizar preços (Pepro), que somaram R$ 135 milhões em subsídios à comercialização de 30 milhões de caixas de laranja de 1,7 mil citricultores. O último leilão foi realizado no final de janeiro e provocou a interrupção dos pagamentos dos subsídios arrematados nos leilões anteriores e o início da investigação. Técnicos da Conab que foram a campo em São Paulo e descobriram que, dos 261 produtores que arremataram prêmios no leilão de janeiro, 111 (42,5%) apresentavam alguma irregularidade. Uma fazenda em Botucatu (SP), por exemplo, não foi localizada. O Pepro foi a solução encontrada pelo governo, em conjunto com o setor privado, para garantir o escoamento da safra de laranja, pois havia risco de grande perda nos pomares. As frutas deixariam de ser colhidas por falta de mercado, em razão dos altos estoques de suco nas indústrias. O mecanismo garantiu ao produtor receber o preço mínimo de R$ 10,10 por caixa. O governo bancou R$ 4,48 por caixa, em média, para o produtor que comprovou a venda à indústria. O superintendente de operações comerciais da Conab, Elias Carvalho de Camargos, assinalou que ainda é prematuro calcular o que poderia ter sido fraudado nos leilões. De dez leilões em 2012, com R$ 117 milhões em subsídios, a Conab pagou até janeiro R$ 61 milhões. Ele observa que, mesmo em relação ao último leilão, com R$ 17,9 milhões em subsídios, ainda não é possível estimar se, de fato, houve essa proporção (42%) de fraudes, pois os arrematantes terão direito de se defender antes da denúncia ser formalizada e encaminhada ao Ministério Público. Camargos assegurou que irá analisar todas as notas fiscais emitidas pelas indústrias na compra da laranja e que contaram com subsídio por meio do Pepro para então, a partir daí, cruzar os dados dos citricultores beneficiados. Comentou que a Conab suspendeu também os pagamentos dos subsídios ao frete, concedidos por meio de leilões de prêmio, para escoamento da safra (PEP), a fim de analisar também se houve irregularidades. Dos R$ 2,2 milhões arrematados nos sete leilões de PEP, a Conab já pagou R$ 1,7 milhão. No ano passado, a estatal efetuou pela primeira vez leilões de prêmios para citricultores e um dos problemas encontrados foi a inconsistência dos dados.
PRIMEIRA VARIEDADE DE CAFÉ DA EMBRAPA, UM ROBUSTA PARA RONDÔNIA
A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) informou que mudas da variedade de café conilon (robusta), BRS Ouro Preto, devem começar a ser vendidas aos cafeicultores de Rondônia no prazo de um a dois anos. Essa cultivar de robusta é resultado de 15 anos de pesquisa conduzida pela Embrapa Rondônia, no âmbito do Consórcio Pesquisa Café, cujo programa é coordenado pela Embrapa Café. Trata-se da primeira variedade de café desenvolvida pela estatal. Conforme matéria do jornal Valor Econômico, a variedade BRS Ouro Preto constitui cultivar clonal recomendada especialmente para Rondônia e foi obtida pela seleção de cafeeiros com características adequadas às lavouras comerciais do Estado e adaptada ao clima e ao solo, com tolerância aos principais estresses climáticos da região, como alta temperatura, elevada umidade do ar e déficit hídrico moderado. A variedade é indicada para o cultivo em sequeiro ou com irrigação. Sua denominação é uma homenagem ao município de Ouro Preto d'Oeste, centro pioneiro da colonização oficial do antigo território de Rondônia. A nova cultivar tem potencial para aumentar a produtividade e promover a sustentabilidade econômica e social de mais de 40 mil pequenas propriedades de cafeicultores em Rondônia e poderá ter sua recomendação estendida a outras regiões produtoras. A produtividade média do café em Rondônia é de 11 sacas por hectare, enquanto a da BRS Ouro Preto alcança até 70 sacas por hectare. De acordo com o chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa Rondônia, Samuel Oliveira, a parceria com os viveiristas credenciados já foi formalizada. De modo geral, o cultivo do café robusta em Rondônia acontece em pequenas áreas, com pouco emprego de tecnologia e grande aproveitamento de mão de obra familiar. Cerca de 90% da área cafeeira são plantados com a espécie robusta, sendo a cultivar conilon utilizada em cerca de 95% das propriedades, de acordo com a estatal.
- TRADICIONAL PROCESSADOR DE CAFÉ PROJETA AMPLIAR RECEITAS E MIRA NOVA CATEGORIA DE MERCADO
O grupo 3Corações, tradicional processador de café no País, projeta alcançar receita de R$ 2,4 bilhões, 7% mais que no ano passado, graças ao aumento de vendas, principalmente no Sul e Sudeste. A empresa, que produz café torrado e moído e exporta grão verde, elevou em quase 250% o faturamento nos últimos sete anos, vai entrar em nova categoria de mercado, ainda no segundo semestre, que poderá representar entre 5% e 10% da receita total em cerca de cinco anos, de acordo com o presidente Pedro Lima. As mudanças no grupo geraram salto significativo das receitas, principalmente a partir de 2005, ano da concretização da joint venture entre a São Miguel Holding, da família Lima, e a israelense Strauss, que detinha a marca 3Corações desde o ano 2000. A união deu origem ao grupo 3Corações. Reportagem do jornal Valor Econômico resume a trajetória da companhia, expondo a dimensão das mudanças que passou. A família Lima começou no segmento de café com a comercialização de café verde no Rio Grande do Norte, em 1959. Depois, a empresa fundada por João Alves de Lima, pai de Pedro Lima, evoluiu para uma pequena torrefação. Contrariando os conselhos da mãe, Pedro abandonou o curso de agronomia e, em 1984, assumiu com os irmãos a empresa, que passou a se chamar Santa Clara. Em 1996, a Santa Clara incorporou a marca Café Kimimo e, em 1999, foi criada a São Miguel Holding. No início dos anos 2000, a Santa Clara já era líder nas regiões Norte e Nordeste. Mas os proprietários queriam alçar voos mais altos e constituir uma marca nacional. O avanço para o Sudeste começou em 2003 por meio da aquisição da marca Pimpinela, do Rio de Janeiro. Em 2005, aconteceu a joint venture com a Strauss, que significou a incorporação da marca 3corações. Os investimentos para crescer não pararam aí. Em 2009, o grupo comprou o Café Letícia e os refrescos em pó Frisco e Tornado. Dois anos mais tarde, adquiriu o café Fino Grão, de Minas Gerais. Pedro Lima conta que, quando a empresa Santa Clara veio para São Paulo, em 2006, tinha menos de 1% de participação no mercado de café da Grande São Paulo, fatia que subiu para 17,3% em 2012, segundo a Nielsen. Em todo o País, a participação da 3Corações foi de 20,4% no ano passado, ante 12,3% em 2007. A estratégia do grupo nesses anos tem sido reinvestir os lucros em expansão e marketing, de acordo com o presidente da 3Corações. Um projeto que visa a garantir crescimento ainda maior para a companhia está se tornando realidade: o lançamento de agosto. Orçado em cerca de R$ 100 milhões para os próximos dois a três anos, o projeto começou a ser desenvolvido há quatro anos. "Este é um dos projetos mais desafiadores, mais complexos", assinala Lima. Os blends de café são em sua maioria 100% de grãos arábica - apenas dois levam o robusta - e toda matéria-prima é brasileira. Para participar do mercado de cápsulas, o grupo promoveu uma joint venture com a empresa italiana Caffita, que vai produzir as cápsulas enquanto a fábrica brasileira não estiver pronta. A previsão, segundo Lima, é que a unidade esteja em operação entre 2014 e 2015, provavelmente em Minas Gerais. A Caffita também fornecerá os três tipos de máquinas residenciais e para escritórios. Inicialmente, a 3corações lançará 16 tipos de cápsulas com o nome Tres, desde café expresso, filtrado, cappuccino, café com leite, chocolate e chás. O jornal revela que foram avaliadas cerca de 300 amostras de café para se chegar aos blends, conforme Lauro Araújo Ré, engenheiro de processos de café do 3corações. A intenção do grupo é levar o produto também ao cliente da classe C, enfatiza Lima. O lançamento ocorre em São Paulo, Minas e Ceará, onde fica a sede do grupo, e depois será levado ao restante do País. A 3Corações atende hoje a mais de 90 mil clientes. Na segunda etapa do projeto das cápsulas, também há planos de produzir blends com cafés de outros países, adaptados ao paladar brasileiro. Atualmente a 3Corações adquire de produtores e cooperativas brasileiros cerca de 4 milhões de sacas de café por ano. Desde o início da década passada, a empresa também exporta café verde para mais de 30 países. Segundo Pedro Lima, o objetivo da operação é conhecer as tendências do setor e melhorar a qualidade da matéria-prima adquirida pelo grupo. Atualmente, as vendas externas representam 15% do faturamento total. A 3corações também planeja exportar café torrado e moído e instantâneo. "Estamos definindo como vamos chegar a esse mercado, pode ter oportunidade de aquisição ou joint venture", comenta o executivo. Hoje o grupo embarca apenas pequeno volume para os EUA, em parceria com distribuidor local. No Brasil, comercializa as marcas 3Corações, Santa Clara, Kimimo, Pimpinela, entre outras. Também vende refrescos, derivados de milho, temperos e achocolatados.
- PARA APOIAR INDÚSTRIA MOAGEIRA, CONTINUAM LEILÕES DE TRIGO DA CONAB
Com o objetivo de ajudar no abastecimento das indústrias moageiras, enquanto durar o período de entressafra do trigo, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) continuará realizando leilões para a venda do grão. No dia 16, acontece a próxima operação, quando serão ofertadas 82,4 mil toneladas pertencentes aos estoques localizados nos Estados do Rio Grande do Sul (56.844 t), Paraná (25.000 t) e São Paulo (545 t). Apenas as indústrias de moagem de trigo podem participar do leilão. Além de estar em plena atividade, é preciso que a moagem esteja prevista no contrato social da indústria. Só será possível o arremate até a quantidade equivalente à capacidade mensal de consumo de trigo em grãos. Os participantes devem estar devidamente cadastrados junto à Bolsa por meio da qual pretendam realizar a operação e em situação regular no Sistema de Registro e Controle de Inadimplentes da Conab.
- PECUARISTA MINEIRO FECHA PARCERIA COM EMPRESA DE GENÉTICA E AVANÇA EM CLONAGEM
Mediante parceria com a empresa americana que detém patente da técnica de clonagem de animais, o mineiro Jonas Barcellos - dono do grupo Brasif - projeta acelerar o desenvolvimento técnico nesses processos. Um dos maiores criadores de gado bovino selecionado do País, Barcellos vinha investindo desde 2009 na Geneal, sua empresa de melhoramento genético de bois e vacas, que já clonou 35 bovinos. Em dezembro do ano passado, ele formalizou parceria com a ViaGen, que detém a técnica usada para "fabricar" a ovelha Dolly, nos anos 90. O acordo já foi reconhecido pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), órgão vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). O INPI reconheceu a patente da ViaGen em 2011, no Brasil. De acordo com Renato Diniz Barcellos Correa, filho do empresário, o mercado para clonagem é promissor e que meta é produzir 80 a 100 clones bovinos por ano. Reportagem do jornal Valor Econômico relata que a ViaGen, sediada em Austin, no Estado do Texas, detém a patente das técnicas desenvolvidas por cientistas da Escócia para a clonagem da Dolly. Segundo o diretor técnico da Geneal, Rodolfo Rumpf, a empresa americana, líder mundial na área de clonagem animal, tentava se aproximar do mercado pecuário brasileiro quando a família mineira iniciou contatos para uma parceria. O Brasil tem predominância de raças zebuínas, enquanto nos Estados Unidos é de raças europeias. Ao ser licenciada pela ViaGen no Brasil, a Geneal passou a ter acesso à tecnologia - transferência que já começou a ser efetuada com a visita de técnicos dos EUA a Uberaba e vice-versa. Rumpf informa que, além disso, a Geneal participará do desenvolvimento de novas técnicas junto com os pesquisadores no Texas. Por fim, segundo Rumpf, a empresa dos Barcellos fica em posição mais confortável em relação a outros laboratórios que trabalham com clonagem no Brasil no tocante ao uso de um conhecimento patenteado. Em um mundo caracterizado por tradicionalismos como o da pecuária, há ainda resistências por parte de muitos empresários em relação a clonar vacas ou touros valorizados para a reprodução. A dúvida mais comum é se os animais clonados serão tão produtivos quanto os originais e se vale gastar com esse tipo de serviço. Quem tenta a técnica quer ter, por exemplo, uma vaca idêntica a uma campeã que produz 40 embriões por ano - transferidos para serem testados em várias vacas. O mercado potencial não é o dos animais clonados, mas, sim, de suas crias. "Vislumbramos um mercado muito bom para a clonagem", destaca Renato Barcellos, diretor da Brasif Pecuária, um dos negócios do Grupo Brasif. A Geneal é uma das empresas da Brasif Pecuária. "Queremos ver se chegamos a produzir 80 a 100 clones por ano, numa primeira fase, cada um na faixa dos R$ 50 mil", informa, sem especificar a expectativa de ganhos com o negócio. Por enquanto, cerca de 140 animais já foram clonados em todo o País pela Geneal e outros laboratórios, calcula a empresa. À medida que os filhos desses clones crescem, a resistência do setor vai diminuindo, afirma o pecuarista. Desde 2009, a Geneal já entregou 35 bezerros clonados. Até então, no entanto, a companhia vinha atuando em regime pré-operacional. Este ano, o primeiro de fato em operação no mercado, a projeção da empresa é entregar 40. Além de clones, a Geneal dedica-se também à fertilização in vitro e a serviços com DNA para gado. Em relação à clonagem, o jornal revela que a Geneal começou em 2009 com grau de eficiência baixo quanto ao número de embriões. Seus técnicos tinham de transferir 200 embriões para conseguir um clone. Um percentual de acerto de 0,5%. Com o progresso das pesquisas, esse percentual subiu para 1,5% e, no ano que vem, Barcellos espera chegar a 2,5% a 3%. Os avanços até então foram conseguidos graças às pesquisas da equipe da Geneal em parceria com a Embrapa. A ViaGen consegue eficiência de 8% nos EUA. A meta é, aqui e lá, atingir a marca dos 10%. Isso diminui custos e tende a ampliar o mercado. A demanda por clones da Geneal é principalmente de reprodutores e matrizes das raças nelore, gir e também de girolando. Criadores em Minas Gerais e São Paulo são os mais interessados.
- SUCESSO DA EMBRAPA EM CLONAGEM COM TÉCNICA NÃO CONVENCIONAL
A Embrapa apresentou a bezerrinha "Brasília dos Cerrados", nascida em 23 de abril, o primeiro animal clonado a partir de células de tecido adiposo de bovino adulto e não um clone convencional, a partir de células embrionárias. Segundo a empresa, o animal é saudável e evolui normalmente, diferentemente de testes com outros métodos de clonagem. "Há relatos na literatura de tentativas de clonagem a partir de células-tronco induzidas de células adiposas, mas o animal nasceu morto. No nosso caso, é a primeira vez que nasce um animal saudável utilizando-se esse tipo celular como fonte de células-tronco", explicou o pesquisado Carlos Frederico Martins. Segundo ele, o objetivo é "futuramente clonar animais geneticamente modificados para produzirem, por exemplo, a insulina ou fatores de coagulação humana, que possam ser liberadas a partir do leite bovino".
- ÓRGÃO ANTITRUSTE LEVA BRF A DESFAZER-SE DE ATIVOS NO INTERIOR GAÚCHO
Unidade de suínos da BRF, localizada no município gaúcho de Ana Rech, foi adquirida por R$ 200 milhões pelo grupo JBS, por intermédio da subsidiária JBS Aves. O ativo, que inclui também granjas, havia sido dado à BRF como garantia de dívida pela francesa Doux Frangosul, em 2011. Pelo contrato, a JBS também se compromete a adquirir ativos biológicos (cerca de 491 mil suínos) e a Granja André da Rocha, localizada em Nova Prata (RS). Dos R$ 200 milhões que a JBS pagará à BRF, R$ 120 milhões referem-se à unidade de Ana Rech e à Granja André da Rocha. Pelos ativos biológicos, a empresa pagará R$ 80 milhões, conforme informaram as duas empresas em comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O valor será pago em 50 parcelas mensais e consecutivas de R$ 4 milhões, vencendo a primeira delas seis meses a contar da data da assinatura dos contratos definitivos de venda e compra dos ativos. Sobre as parcelas incidirão juros, calculados de acordo com a variação da taxa DI, aplicada pro rata die desde a data de assinatura do contrato até a data do pagamento. A conclusão da operação depende da implementação de algumas condições suspensivas, entre elas a autorização prévia do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A unidade de Ana Rech pertencia à multinacional francesa Doux Frangosul. Em 2011, a empresa, em dificuldades financeiras, tomou empréstimo da BRF e ofereceu uma série de ativos em garantia, entre eles a indústria da cidade gaúcha. Como a Doux não conseguiu pagar a dívida, a unidade de Ana Rech passou a ser propriedade da BRF. Mas o acordo firmado com o Cade, que permitiu a união de Perdigão e Sadia e a criação da BRF, em 2009, impedia a empresa de realizar aquisições no segmento de aves e suínos no Brasil. Dessa maneira, o Cade congelou a operação realizada entre BRF e Doux em novembro passado. Em janeiro último, o órgão antitruste determinou que a BRF deveria vender os ativos que a Doux havia dado como garantia. A unidade de suínos de Ana Rech, adquirida pela JBS, tem capacidade diária de abate de 3.500 animais. No ano passado, a JBS entrou no segmento de aves no Brasil com o arrendamento dos ativos da Doux Frangosul.
- EXPORTAÇÕES DAS COOPERATIVAS DO PARANÁ SOBEM COM FARELO DE SOJA E CARNE DE FRANGO
Dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Secex/Mdic), compilados pela Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar), apontam que farelo de soja e carne de frango puxaram as exportações das cooperativas paranaenses no primeiro trimestre. Os embarques renderam US$ 402,5 milhões no período, 10,7% menos que entre janeiro e março de 2011, e farelo e frango representaram 21,9% e 21,4% do total, respectivamente. Outros produtos de destaque foram milho (18,8% do total), açúcar (13,8%), óleo de soja (9,8%), carne suína (7,3%) e soja em grão (6,2%). Na divisão por Estado, as cooperativas do Paraná perderam apenas para as de São Paulo nas exportações nos primeiros três meses do ano. Impulsionadas pelo açúcar, vendas ao exterior dos grupos paulistas alcançaram US$ 612,6 milhões no intervalo, 69,7% mais do que no primeiro trimestre de 2012. As exportações das cooperativas de todo o País somaram US$ 1,409 bilhão até março, aumento de 9%. Conforme a Ocepar, a queda das exportações das cooperativas paranaenses entre janeiro e março pode ser creditada ao atraso de embarques em consequência das chuvas, situação que começou a se normalizar. Mesmo assim, e impulsionadas pelas cooperativas, as exportações do agronegócio como um todo corresponderam a 61% dos embarques totais do Paraná no período, que somaram US$ 4,1 bilhões.
- SAFRA DE MILHO DEVE CRESCER 5,7% E ESTOQUE PODE SER RECORDE EM 2013
Projeções da consultoria INTL FCStone e do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA), com base em expedição por regiões produtoras, apontam que a produção brasileira de milho deve crescer 5,7% em 2013, para 76,88 milhões de toneladas. A expectativa é que o País produza 36,3 milhões de toneladas do cereal na safra de verão (que está em fase de colheita), volume apenas ligeiramente superior ao registrado no ano passado (36,14 milhões de toneladas). A segunda colheita (a chamada safrinha, que começa a ser colhida no mês que vem) deve crescer 10,9%, para 40,58 milhões de toneladas, reflexo de expansão de 13,7% na área plantada. Só Mato Grosso deve colher 15,90 milhões de toneladas nesta safrinha, aumento de 5,5%. No Paraná, a colheita pode crescer 2,8%, para 10,54 milhões de toneladas. De acordo com a FCStone e o Imea, a projeção “acende o sinal de alerta” para o Brasil, “que tem o desafio de aumentar as exportações num ano de consumo interno estável, recuperação dos maiores produtores e fornecedores globais os Estados Unidos e de vendas antecipadas fracas”. Conforme o jornal Valor Econômico, em face de uma demanda doméstica projetada em 52 milhões de toneladas, a previsão é que o País termine o ano com mais de 16 milhões de toneladas em estoque, o maior da história. O atraso nas exportações da safra recorde de soja também é motivo de preocupação. “O milho só deve começar a ser escoado (para o exterior) a partir de agosto e setembro, o que preocupa muito, porque vai ser a mesma época em que os Estados Unidos começam a sua colheita”, destaca Otávio Celidonio, superintendente do Imea.
- FORTE AUMENTO DAS EXPORTAÇÕES DE SOJA EM ABRIL
Dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Secex/Mdic) revelam que as exportações brasileiras de soja em grão somaram 7,155 milhões de toneladas e renderam US$ 3,797 bilhões em abril. Com o avanço do escoamento da safra 2012/13, que já está na reta final, e a diminuição da “disputa” com o milho nos dois principais portos do País - Santos (SP) e Paranaguá (PR) o volume embarcado foi 102,3% maior que o registrado em março e a receita cresceu 98,8% nessa mesma comparação. Em relação aos resultados de abril de 2012, o volume exportado no mês passado foi 61,5% superior, enquanto o aumento do valor das vendas chegou a 67,9%. Em larga medida, a situação reflete o aumento da oferta do grão no País neste ano, uma vez que adversidades climáticas, sobretudo na região Sul, derrubaram a colheita na temporada 2011/12. Soja em grão e derivados (farelo e óleo) são os principais itens da pauta exportadora do agronegócio brasileiro. Neste ciclo 2011/12, o Brasil trava acirrada concorrência com os Estados Unidos pelo posto de maior país exportador do grão do mundo. Já as exportações brasileiras de farelo e óleo de soja não acompanharam a disparada do grão e apresentaram resultados mais modestos em abril. No caso do farelo, os embarques alcançaram 1,257 milhão de toneladas e renderam US$ 604 milhões. As expansões em relação a março foram marcantes 103,7% e 95%, respectivamente porém na comparação com abril do ano passado os resultados foram menos expressivos: o volume aumentou 9,8% e a receita, 28,8%. Já as exportações de óleo de soja, que alcançaram 110,2 mil toneladas (US$ 116,4 milhões) sofreram quedas em todas as comparações. Em relação a março, as retrações foram de 10,4% e 15,4%, respectivamente. E sobre abril de 2012, foram de 16,5% e 25,4%. Secundários na balança do chamado “complexo” soja, em larga medida por questões tributárias que reduzem as competitividades, tanto farelo quanto óleo também não estão no topo do interesse da China, principal comprador de soja em grão. Como estimularam investimentos em unidades de processamento nos últimos anos, os chineses preferem importar a matéria-prima e produzir no próprio País farelo e óleo, que têm maior valor agregado.
- CHUVAS AMENIZAM PIOR SECA DAS ÚLTIMAS DÉCADAS NO NORDESTE
Muitos produtores rurais estão retomando a preparação da terra e o plantio em áreas de agreste e sertão em vários Estados do Nordeste. É que precipitações relevantes, registradas nas últimas duas semanas, estão levando alívio a diversas regiões do semiárido nordestino, que sofre com a pior seca das últimas décadas. De acordo com a Articulação para o Semiárido (ASA), organização que coordena uma série de programas de convivência em toda a região, tem chovido com intensidade nas últimas semanas em Pernambuco, Paraíba, Bahia, Sergipe e Alagoas, relata matéria do jornal Valor Econômico. Coordenadora da Central das Associações dos Assentamentos do Alto Sertão Paraibano (CAAASP), Aldineide Alves, assinalou que os reservatórios ainda estão muito aquém do esperado para esta época do ano, mas a paisagem já é verde e as esperanças estão sendo renovadas. “Já temos algum pasto para os animais”, afirmou. O sertão de Sergipe também está molhado. Segundo Overland Amaral, do Centro de Meteorologia da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos, o volume de chuvas durante o mês de abril ficou, em média, dentro da normalidade, apesar de algumas regiões ainda estarem em dificuldades. Na Bahia, foram registradas chuvas intensas em diversas regiões do sertão, casos dos municípios de Uauá, Curaçá e Remanso. De acordo com a ASA, também está chovendo no sertão de Pernambuco.
- EMERGENTES IGNORAM EUA E EUROPA E LEVAM BRASILEIRO AO COMANDO DA OMC
O diplomata Roberto Azevêdo venceu o candidato do México, Herminio Blanco, apoiado pelos Estados Unidos e pela União Europeia, para a direção-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), o mais importante cargo internacional já ocupado por um brasileiro. A vitória abre espaço para nova relação entre países emergentes e desenvolvidos nas negociações planetárias. O candidato do Brasil será o primeiro de um país dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) a dirigir uma instituição multilateral chave, que tem na liberalização comercial e na disciplina das regras do jogo no mercado os pilares essenciais para a economia mundial. Os emergentes brigaram pelo cargo para tentar equilibrar o comando da governança global, já que a Europa dirige o FMI e os EUA, o Banco Mundial. No entanto, americanos e europeus "qualificaram" seus votos, na linguagem da instituição, deixando claro que ficariam satisfeitos também com a provável vitória brasileira. A vitória da Azevêdo foi confirmada pouco antes das 19 horas do dia 7, em Genebra, pela comissão de seleção. Segundo o jornal Valor Econômico, o México não a contestou e imediatamente aceitou o resultado, até pelo peso da realidade, segundo diferentes relatos na cena comercial em Genebra. Nunca se saberá exatamente o número de votos - a escolha é secreta - mas estima-se que, além dos 28 votos da UE, Blanco não teria obtido mais de 30 outros votos, significando frágil apoio nos países em desenvolvimento - o contrário do representante brasileiro, com apoio distribuído nas regiões e tipos de países. Na verdade, teria sido difícil à comissão de seleção explicar aos 159 países da OMC eventual vitória do candidato mexicano, e o clima na entidade iria “azedar”. Além da OMC, o Brasil, com José Graziano, está no comando da FAO, agência da ONU encarregada do combate à fome no mundo. Está em jogo a aposta brasileira no multilateralismo, a criação de regras globais respeitadas por todos para conciliar interesses divergentes no plano internacional. A Rodada Doha de liberalização comercial, iniciada em 2001, chegou a um impasse. O desafio de Azevêdo, que assumirá em setembro e substituirá Pascal Lamy à frente do cargo, será conseguir uma agenda de negociação relevante para a conferência ministerial de Bali, na Indonésia, em dezembro. O benefício da vitória para o Brasil pode vir por meio do impulso nessa negociação. O País apostou no multilateralismo e tem dificuldade para celebrar acordos regionais. Quanto mais o sistema multilateral tornar-se forte, com as regras respeitadas globalmente e a abertura negociada na OMC, melhor para o Brasil. Os países industrializados podem, por outro lado, argumentar agora também que os emergentes precisam de fato assumir mais responsabilidades na governança global. Além disso, com um brasileiro no comando da OMC, a política comercial do País poderá ser gradualmente "estimulada" a seguir com mais cuidado as regras globais. A terça-feira foi dia tenso em Genebra. Apesar da tensão provocada pelos votos da UE ao mexicano, a própria Comissão Europeia, braço executivo dos 27 países membros, mantinha a fé na vitória de Azevedo. Num clima de enorme expectativa e ansiedade, a UE e os EUA foram os últimos a votar, por volta do meio-dia. Os dois gigantes comerciais deram voto a Blanco, mas ressalvando que estariam tranquilos com uma vitória de Azevêdo. Logo pela manhã, novos detalhes da escolha feita pela UE foram conhecidos, conforme relato do Valor Econômico. A grande surpresa na Comissão Europeia continuava sendo a militância do Reino Unido contra o brasileiro. Na votação decisiva na segunda-feira, no bloco comunitário, o governo de David Cameron de novo ameaçou vetar um consenso em torno de Azevêdo. Para Londres, Blanco era o símbolo da abertura comercial e precisava ser apoiado. No bloco europeu, as línguas começavam a se soltar e ajudavam a explicar votos contra o Brasil. No caso da França, foi atribuído a uma maneira de "dar o troco" à polêmica declaração da presidente da República acerca de suposto neocolonialismo devido à intervenção do exército francês no Mali, que irritou profundamente o governo de François Hollande. A expectativa, agora, é que a eleição de um diretor-geral com amplo apoio represente forte credibilidade entre os três grupos de países - desenvolvidos, emergentes e os mais pobres facilitando até a criação de ambiente de confiança para retomar as negociações de liberalização global. Além disso, o que for bem sucedido na OMC em termos de entendimento tende a ter efeito em várias outras negociações internacionais onde emergentes e desenvolvidos continuam a se afrontar, como por exemplo na área climática. Não é que Azevêdo disponha de varinha mágica. Mas, como notam observadores, seu perfil sinaliza que pode ser capaz de mediar entendimentos. Engenheiro eletrônico, formado pela Universidade de Brasília (UnB), o diplomata baiano é casado com Maria Nazareth Farani. É fluente em inglês, francês e espanhol. Chegou ao mundo da diplomacia comercial pela profissão de engenheiro. Ao ser transferido para Genebra, em 1997, cuidava, a princípio, de arquivos, tarefa burocrática reservada aos neófitos da delegação; em 2001, porém, impressionou o então embaixador, Celso Amorim, ao participar de reuniões com advogados encarregados do litígio do Brasil com o Canadá, devido à disputa entre a canadense Bombardier e a brasileira Embraer. Da discussão sobre a Alca, que acabou em impasse, Roberto Azevêdo transferiu-se para a chefia do Departamento Econômico e tornou-se o chefe da delegação brasileira nas negociações da chamada Rodada Doha, de liberalização comercial na OMC, que, agora, como diretor-geral da instituição, terá a tarefa de levar a algum resultado. A última posição ocupada por Azevêdo em Brasília foi, de 2006 a 2008, no Itamaraty. Na carreira diplomática, serviu as embaixadas do Brasil em Washington (1988-91) e em Montevidéu (1992-94), bem como na missão permanente do Brasil em Genebra (1997-2001), segundo informações divulgadas pela OMC.
- O DESAFIO É SUPERAR O IMPASSE DA RODADA DOHA
O novo diretor-geral da OMC deve começar a trabalhar logo nas articulações para estabelecer uma agenda de negociação relevante na Conferência de Bali (Indonésia), em dezembro o grande desafio imediato de Azevêdo. Ele tem insistido que obter um acordo mesmo minimalista no fim do ano poderá ajudar a imprimir nova dinâmica para o passo subsequente, que é superar o impasse da Rodada Doha de liberalização global. "Tem de haver solução para Doha, e qualquer que seja, a superação desse impasse", assinalou Azevêdo, recentemente. O diretor-geral da OMC não tem poder decisório. Deve empregar toda a diplomacia, paciência e capacidade de convencer para facilitar as negociações entre os países membros. Dependendo de sua capacidade, pode conduzir sutilmente as discussões.
Em 2001, a OMC lançou a Rodada Doha, para nova onda de liberalização agrícola, industrial e de serviços. No mesmo ano, a China ingressou na entidade no rastro de seu programa de reformas econômicas e formalmente aderindo à globalização. No confronto entre desenvolvidos e emergentes, a impaciência e frustração tomaram conta dos países. Matéria do jornal Valor Econômico aponta que o setor privado nos países ricos passou a apoiar acordos bilaterais ou regionais. Como nota Carlos Braga, do IMD, uma das melhores escolas de administração da Europa, houve enorme divórcio entre o setor privado e as negociações globais de comércio. Os dois sempre operam em diferentes velocidades. Só que no século XXI, a defasagem aumentou, com o setor privado sempre à frente, refletindo o impacto das tecnologias da comunicação e da informação, reformas nos transportes e liberalização unilateral por alguns países, enquanto a OMC caminhava a passos de tartaruga. A principal iniciativa no momento é o anúncio de negociação entre os Estados Unidos e a União Europeia, que sozinhos poderão desenhar novas regras e em seguida impô-las ao restante do mundo. Para Richard Baldwin, do Instituto de Altos Estudos Internacionais de Genebra, dificilmente Washington irá interessar-se de fato num acordo de Doha até que esteja claro também se o Acordo Transpacífico (TPP, em inglês) será bem sucedido, o que demorará anos. A agenda para modernizar o multilateralismo traz outros desafios. Na agricultura, a situação é diferente, como observa Roberto Zoellick, pois passou de excesso crônico de produção para demanda crescente. A OMC precisará ainda avançar a discussão com o Fundo Monetário Internacional sobre a aplicação da regra das duas entidades de que as taxas de câmbio não devem ser manipuladas para trazer vantagem comercial desleal. É de Azevêdo o crédito por ter levado o tema proposto pelo Brasil para a agenda da OMC.
- EM GESTAÇÃO, AMBICIOSO PROGRAMA OFICIAL DE R$ 730 MILHÕES PARA NOVOS ARMAZÉNS
Ambicioso programa de investimentos, da ordem de R$ 730 milhões, com o propósito de praticamente duplicar a atual rede de armazéns públicos operados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), deverá ser anunciado no início de junho, durante a solenidade de lançamento do Plano Safra 2013/14. O projeto prevê a construção de 21 grandes silos nas principais regiões produtoras de grãos e em portos do País, o que elevará a capacidade nacional de armazenagem a 4 milhões de toneladas - hoje, há espaço para 2,2 milhões de toneladas nos galpões oficiais. Matéria do jornal Valor Econômico informa que o investimento faz parte do rearranjo da política de abastecimento do País, determinação direta da presidente Dilma Rousseff. O início da guinada começou com a criação do Conselho Interministerial de Estoques Públicos de Alimentos (Ciep), em 15 de fevereiro, para discutir as políticas de abastecimento. O Planalto avaliou que houve erro do Ministério da Agricultura ao não agir vendendo estoques públicos de arroz no fim do ano passado para segurar a alta nos preços. A justificativa principal para o plano é a baixa participação dos armazéns do governo, de 1,6%, no total nacional. Além disso, o estudo cita a necessidade de formação de estoques em novas fronteiras agrícolas (Maranhão, Bahia e Tocantins), de abastecimento em regiões não produtoras (Nordeste), de armazéns estratégicos para movimentação de produtos (Espírito Santo) e de atendimento social em áreas ainda não atendidas (Nordeste), entre outras demandas. A escolha do local dos armazéns, sua capacidade e os investimentos a serem feitos baseiam-se em estudo conjunto de Embrapa, Empresa de Planejamento e Logística (EPL), Ministério da Agricultura, Conab e Casa Civil. Porém, ainda não foi decidida qual será a fonte dos recursos. Pelo menos uma parcela poderá sair da própria Conab, que faturou cerca de R$ 100 milhões com a alienação de alguns imóveis em 2012 e no início deste ano. O plano deverá dividir-se em três fases. A primeira, de 2013 a 2014, prevê a construção de oito armazéns, com capacidade total para 800 mil toneladas a um custo de R$ 320 milhões. A segunda, de 2014 a 2015, tende a viabilizar a conclusão de mais oito armazéns, com capacidade de 730 mil toneladas e investimentos de R$ 292 milhões. Já a última etapa promete entregar seis silos, com capacidade para 300 mil toneladas e R$ 120 milhões de desembolso. O estudo também cita que, para recuperação e modernização de todas as 94 unidades de armazenamento ativas da Conab - a maioria delas com mais de 35 anos - o custo é de cerca de R$ 111 milhões. Além das unidades próprias, o governo federal decidiu criar linha de financiamento para construção de armazéns privados na safra 2013/14. A linha para construção de armazéns vai trazer juros compatíveis com os do Programa de Sustentação do Investimento (PSI), que são de 3,5% no segundo semestre do ano. No caso de cooperativas, o juro será o mesmo, mas com maior limite de contratação.
- LEITE É O “VILÃO” DA ALTA DOS PREÇOS MUNDIAIS DOS ALIMENTOS EM ABRIL, SEGUNDO A FAO
A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) anunciou que os preços mundiais dos alimentos subiram em média 1% em abril, na comparação com março deste ano e também em relação a abril de 2012. O índice de preços da FAO, que engloba os custos de uma cesta de commodities, ficou em 215,5 pontos no mês. Nesse nível, o índice é apenas 9% inferior ao pico alcançado em fevereiro de 2011. Semelhante à evolução dos preços em março, o avanço em abril foi impulsionado quase que exclusivamente por forte aceleração nas cotações de leite. Os preços da carne mantiveram-se estáveis, enquanto caíram os de outros produtos alimentares. O índice de março foi revisado pela FAO em 213,2 pontos, ante prévia de 212 pontos. A principal causa do aumento dos preços observada nos últimos meses é o forte declínio na produção de leite da Nova Zelândia, depois de um período de seca anormalmente prolongado no início do ano. A seca forçou os agricultores a abater vacas leiteiras, o que acarretou redução no processamento de produtos lácteos. O índice que mede os preços do leite, denominado FAO Dairy, subiu 14,9% (34 pontos) em abril em relação a março, para 258,8 pontos. O índice para carne ficou em 178,7 pontos em abril, em nível constante desde o ano passado. Mas os preços da carne em geral permanecem elevados para os padrões históricos, alertou a agência da ONU. “Desde o início de 2011, o índice manteve-se acima de seu pico anterior de 170 pontos, alcançado em meados de 2008”, assinala relatório da entidade. O índice que mede o preço dos grãos caiu 4,1% no mês, para 234,6 pontos, principalmente devido ao declínio do preço do milho, dada a expectativa de aumento da produção em 2013. A excessiva produção de açúcar esperada para o Brasil nesta temporada, que alimenta um nível elevado de estoque mundial, também foi responsável pela queda de 3,6% do índice da FAO Açúcar em abril, ante março, que fechou em 252,6 pontos. Por último, o preço dos óleos e das gorduras recuou em média 1,5% em abril e gerou índice de 199 pontos. O declínio foi liderado principalmente pelos óleos de palma e de soja, refletindo bons estoques globais e uma aceleração esperada na produção.
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