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« Memória Empresarial • ANO XXVIII - Ed. 132 (23/10/1994)

Metas Corrigem Rumo da Percepção

O ego é o maior inimigo da mudança empresarial. Tropeça-se nele quando é preciso enxergar o que está sendo feito de errado. Para melhorar, não basta apontar o defeito alheio, mas, principalmente, aceitar críticas ao próprio trabalho. Na rígida estrutura das empresas tradicionais, em que a arrogância alimenta-se da insegurança, é difícil quebrar a cadeia neurotizante do relacionamento interno, a não ser que haja determinação de quem detém o poder.
Essa determinação nasce da necessidade. O empresário brasileiro, aos poucos, hoje entende que para sobreviver e crescer é preciso resgatar valores espirituais, abrindo mão de velhos privilégios. Por isso, já existem núcleos de transformação que funcionam como multiplicadores de uma nova mentalidade, em que a coragem para mudar não é suficiente. É preciso, também, muita paciência.
Foi com essas armas - autocrítica, vontade e fôlego - que as sócias Marília Galvão Rocha e Maria Fernandes desencadearam um trabalho de reformulação da Lim & Ciaas Perfumaria Ind. e Com. Ltda. - tel.: (011) 291-2988 -, de São Paulo. Especializadas em deo colônias feitas basicamente com essências naturais, elas mostram, no depoimento a seguir, como essa experiência mexeu profundamente naquilo que é um dos insumos da empresa: a percepção humana.

INCORPORAR VALORES É ENFRENTAR ILUSÕES
"Num processo de mudança, todo mundo é posto contra a parede. Você se expõe e aceita o que está certo ou errado. É muito difícil fazer essa abertura. Além disso, a prática é completamente diferente da teoria e os resultados só aparecem gradativamente. Sinto que, no longo trabalho que todos nós fizemos aqui dentro, sob orientação da consultoria do SEBRAE/SP, as pessoas ficaram umedecidas com as novas intenções, as novas características que a empresa precisa tomar.
Isso, agora, precisa descer para o nível da carne. Porque a gente fala de responsabilidade, mas, na hora de agir, transferimos a responsabilidade para os outros. A visão que temos de nós é muito subjetiva e condescendente, composta de ilusão. Inclusive, o conceito que temos de bom senso ou iniciativa pode ser completamente diferente da visão das outras pessoas. Devemos lapidar os conceitos na prática, e isso implica um trabalho contínuo, permanente, de incorporação de valores, de uma forma que todos concordem que aquilo está sendo realmente praticado.
Assim, no ambiente de trabalho, existe chance de exercitar o valor, de cobrar a incorporação dos conceitos. No início, houve uma comoção geral, pois foi tudo checado, quebrou-se a hierarquia, ficou uma situação difícil para a diretoria, com momentos de muito aperto. Mas, como tínhamos optado por esse caminho e vimos que ele era bom para a empresa, resolvemos colocar a Lim antes dos nossos grandes egos. Não podíamos usar mais subterfúgios. Foi preciso apostar na correção e no equilíbrio, em que o acordo substitui o consenso forçado."

AGREGAR ESTÁ NA RAIZ DA AGRESSIVIDADE

"Quando você forma guetos e faz um desmembramento em antagonismos, você tem poucos chances de que as coisas evoluam. O que vale é a complementaridade, e não o antagonismo, que é o caminho mais fácil e mais brutal. Achamos que competir é uma coisa extremamente saudável, desde que seja exercida dentro da ética. Isso faz as pessoas evoluírem, aprimorarem-se e melhorarem em todos os sentidos.
Há um equívoco muito grande em relação à competitividade. Interpretamos como agressivo aquele que vai tirar, espoliar o outro, destruir. Mas aprendemos que agregar está na origem da palavra agressividade. Na verdade, essa é uma energia tão fantástica que agrega coisas. Então, é uma ação benéfica. Quando você vai competir, você agrega valor. Concorrer é correr junto, com vontade de chegar primeiro, naturalmente, mas sem querer destruir o outro.
Quem segue a própria trilha ninguém segura. Se você solta seus cavalos, não adianta ninguém ficar contra, pois você tem suas metas. O importante é que os objetivos sejam compartilhados por toda a equipe. Isso é que motiva as pessoas. É preciso definir estratégias, dedicar-se integralmente à empresa, possuir absoluto conhecimento do mercado, dar pleno atendimento ao cliente e aprofundar a qualidade dos produtos."

ESTRANGEIRO GOSTA DO QUE PRODUZIMOS

"Recebemos cartas do exterior querendo nossos produtos, que podem ser encontrados em Nova York e em Chicago, por exemplo. Trabalhamos, basicamente, com essências naturais e damos personalidade a matérias-primas produzidas por multinacionais, com toques característicos baseados no nosso 'feeling' e no nosso conhecimento. E, também, com a participação de todos os nossos 24 funcionários.
Esta empresa foi criada no final dos anos 70, quando surgiu a abertura para produtos naturais, mas o trabalho era muito artesanal. Evoluímos, mas a filosofia original permaneceu, que é fazer produtos diferenciados e com muita qualidade nas embalagens, baseadas no design dos anos 40 e 50. Nossos vidros são personalizados, e a criação das estampas externas é de autoria de grandes artistas da publicidade. Nossa meta é trabalhar muito bem os pontos-de-venda, dando um tratamento excepcional ao cliente. Queremos que ele fique satisfeito com o produto que vai levar.
Temos um nível de maceração - que é o tempo em que o perfume fica descansando - entre 25 e 30 dias, o que é uma raridade no mundo da perfumaria de companhias pequenas. A intenção é o cliente sentir-se bem com o perfume. Nossa proposta é beneficiar o consumidor com as matérias-primas que estão sendo usadas. Por isso, queremos cada vez mais que os brasileiros nos valorizem, assim como já acontece no exterior. Por enquanto, vendemos muito para São Paulo e Nordeste, mas gostaríamos de atingir mais o Sul do País com nossas marcas, que são Acqua Fortuna e Acqua Flori, Saga, Cambara, Ibarra, Aura e Lavanda 1, entre outras."


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