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« Memória Empresarial • ANO XXVIII - Ed. 240 (10/11/1996)

Caminhos para Oxigenar a Cidadania

A verdadeira opinião do empresário que assume a responsabilidade de sobreviver correndo riscos não costuma coincidir com o otimismo padrão do governo e seus aliados. Por que, então, se divulga por um lado, o presumido apoio permanente dos empresários à política oficial e, por outro, o que se costuma chamar de "choradeira". Na raiz desse equívoco está a vontade de enquadrar numa falsa imagem única a disparidade de vivências que o front produtivo proporciona. Este programa, fundado em 1987, sempre procurou revelar a multiplicidade das opiniões de uma ativa parcela social, ainda mal compreendida no Brasil. É por isso que damos a palavra a pessoas como Alencar Burti, da Rumo Norte Distribuidora de Veículos Ltda. - www.rumonortegm.com.br. Seus empreendimentos - uma revenda de automóveis, uma concessionária de veículos, uma joalheria - passaram por um processo de depuração. Sua visão crítica tem, portanto, o apoio da experiência num cenário mutante e promissor.

A "JOINT-VENTURE" DA INCOMPETÊNCIA
"Os direitos do consumidor, os direitos humanos, as exigências ecológicas e a globalização são processos irreversíveis. Eles formam uma via que a sociedade apostou, gostou e não tem mais volta. Eles foram criados para que o próprio sistema possa sobreviver. Essa é uma realidade que atingiu o Brasil. No nosso segmento, o de autopeças, 70% das indústrias nacionais não existem mais. Elas foram absorvidas, fundiram-se e estão nas mãos de empresas internacionais. É preciso que a burocracia estatal e a mentalidade empresarial brasileiras acompanhem o processo, se transformem. O problema é que, entre nós, existe uma grande "joint-venture" da incompetência. Isso complica tudo, pois temos uma soma maior de problemas, somos um país com enormes desníveis sociais. A capacidade de empreender, de correr riscos, vai sendo cada vez mais constrangida pelo aumento das dificuldades. As micro, pequenas e médias empresas são reféns do sistema tributário, atualmente, aliviadas com o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos. Nenhuma empresa que fosse fiscalizada verticalmente poderia ficar em pé. É preciso modificar a Constituição, que é cínica, pois ela dá o que não tem, veja os meninos de rua. Hoje, nós aceitamos regras que não podemos cumprir. A ordem econômica e social precisa ser reescrita."

LUCRO ELIMINA CUSTO DO FUNCIONÁRIO
"A empresa familiar, hoje, é um problema sério. No Brasil, ela dificilmente dura mais de trinta anos. Você precisa deixar de ser dono e passar a ser empresário, ser participante, atuar, ter coragem de tomar as medidas necessárias, atualizar, informatizar, implantar qualidade, virar a empresa para o cliente, advogar sua causa. Os jovens empresários têm o pai como padrão. Isso significa respeito, mas também deve mudar. Se o herdeiro imitar o pai, ele quebra a empresa. Ele tem que apagar os padrões e seguir uma nova linha. A ordem vigente está sendo seguida de forma compulsória. Para mim, a relação patrão/empregado acabou. O funcionário é um prestador de serviço, que firma um contrato. Ele tem que ter participação de lucros ou resultados, pois, se o colaborador der lucro, ele deixa de ser custo. Sinto, em parte do empresariado, uma desesperança e um cansaço. Apostamos muito e perdemos demais no processo. Tem uma massa de pequenos empresários que quer lutar, mas sente-se vencida. Mas isso é geral. É um sentimento de todo o cidadão, que não encontra caminhos para poder oxigenar e dar sua contribuição para melhorar a situação. O brasileiro, hoje, acorda desorientado."

TERRÍVEL APRENDIZADO

"Podem tocar formicida no pequeno empresário, que ele brota do outro lado, pois tem que sobreviver. Existe muita criatividade perdida, comprometida na autodefesa. Metade do nosso tempo é gasto na sobrevivência, enquanto vivemos num tempo em que a velocidade é o primeiro fundamento do sucesso. Essa necessidade, esse desespero, embora cruel, é um fator de crescimento. O Brasil está passando por um processo dramático e pode caminhar, por força desse aprendizado terrível, para uma grande transformação, que vai atender a todos. Na época da inflação, era possível ganhar com a própria ineficiência. Isso não funciona mais. A sociedade tende a fazer cada vez mais pressão na busca de soluções mais inteligentes e eficientes."


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Diretor: Dorival Jesus Augusto

Conselho Assessor: Alberto Borges Matias (USP), Alencar Burti, Aparecida Terezinha Falcão, Carlos Sérgio Serra, Dante Matarazzo, Elvio Aliprandi, Irani Cavagnoli, Irineu Thomé, José Serafim Abrantes, Marcos Cobra, Nelson Pinheiro da Cruz, Roberto Faldini e Yvonne Capuano.

Contato: Tel. +55 11 9 9998-2155 – [email protected]

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