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« Memória Empresarial • ANO XXVIII - Ed. 424 (21/05/2000)

Crédito da Sobrevivência

Não se pode negar valor de iniciativas que buscam fomentar o empreendedorismo brasileiro, seja por meio de concessão de crédito, seja por meio da capacitação empresarial. No entanto, o nosso pequeno empresário parece estar fadado a continuar pequeno, uma vez que as instituições que se propõem a ajudá-lo parecem estar preocupadas apenas em garantir a sua sobrevivência, esquecendo-se de que essas empresas podem e devem crescer para gerar novos empregos. É o que mostra a experiência de Luís Carlos Pires de Moraes, sócio-diretor da Mored Comércio e Serviços Ltda. - www.mored.com.br - com o Sebrae-SP. Em depoimento exclusivo, ele conta como conseguiu sair do sufoco, graças a um empréstimo concedido pela entidade.

HISTÓRIA
"Somos uma distribuidora de parafusos em geral e também representantes de uma empresa gaúcha especializada na fabricação de uma linha de fixadores para coberturas metálicas, um setor que vem crescendo muito nos últimos anos, devido à praticidade e à facilidade de manutenção em relação à alvenaria. Trabalhamos com uma peça que possui uma broca na ponta, permitindo, ao mesmo tempo, a fixação e a vedação na estrutura. Começamos em 1987, após mais de uma década na área de vendas de uma indústria de parafusos. Nos três primeiros anos, fazíamos trabalho de usinagem e, depois das dificuldades que vieram com o Plano Collor, resolvemos redirecionar o negócio para o comércio, aproveitando toda a nossa experiência no setor. Começamos a nos recuperar com o Plano Real até 1998. Já no ano passado, o nosso faturamento caiu cerca de 50% com a retração do mercado e ainda tínhamos parte das reservas comprometidas com a compra da sede própria, o que nos levou a recorrer à ajuda financeira oferecida pelo Sebrae."

DESCARGO
"Apesar de o Brasil Empreendedor ser um projeto importante, que viabiliza os pequenos negócios até o teto máximo de R$ 50 mil, trata-se de mais um descargo de consciência do governo do que qualquer outra coisa, porque, na realidade, o crédito foi facilitado em razão dele já estar acumulado há algum tempo. No nosso caso, foi para sair do aperto mesmo, uma vez que não geramos nada nem empregos novos. Nós aprendemos a administrar na marra, na prática do dia-a-dia, e perdemos dinheiro com esse aprendizado em uma época em que isso era possível. Se fosse hoje, do jeito que a coisa está complicada, essas tentativas de acerto poderiam significar o fim da empresa. Por esse motivo, é preciso perder o preconceito contra iniciativas que se propõem a fornecer capacitação técnica para quem deseja montar um negócio. É necessário procurar orientações e cursos, até mesmo para não dimensionar de forma errada a estrutura inicial da empresa, aprendendo como lidar com as despesas, com as vendas, com os lucros e com os investimentos. Para aqueles que já estão no mercado, é melhor procurar esse tipo de auxílio antes de entrar no vermelho."

RISCO CALCULADO
"A primeira impressão que as pessoas têm ao montar um negócio é de que vão estar ganhando dinheiro já no primeiro ano. Esquece, porque dificilmente isso vai acontecer. É claro que existem aqueles 'negócios da China', mas não fazem parte da regra. Depois, é preciso insistir muito, acreditar que aquilo vai dar certo, além de se cercar de parcerias com associações, sindicatos e empresas que garantam informações fidedignas sobre a ficha cadastral dos clientes em potencial. Hoje em dia, qualquer risco pode ser fatal, por isso mesmo deve ser muito bem calculado, pois, em momento algum, vale a pena jogar a sorte toda. Outro aspecto fundamental é tentar descobrir nichos de mercado pouco ou quase nada explorados, em que se possa trabalhar bem. O principal é fazer com que a empresa dê lucro e, igualmente importante, é saber como direcionar a aplicação desse lucro. Uma das estratégias que nos mantêm firmes no mercado é o fato de trabalharmos com um preço mínimo, abaixo do qual a venda se torna impraticável, por gerar prejuízos financeiros. Atualmente, como se busca reduzir custos, tornou-se comum a prática do leilão, especialmente nos últimos dois anos, fazendo com que o comprador entre num esquema de pechincha muitas vezes sem ética."


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