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« Memória Empresarial • ANO XXVIII - Ed. 51 (28/03/1993)

Negócios em Tempos Velozes

Abram Szajman, presidente do SEBRAE/SP - www.sebraesp.com.br e da FECOMÉRCIO/SP - www.fecomerciosp.org.br, começou a trabalhar cedo, como office-boy, num pequeno estabelecimento do seu tio. Filho de imigrantes poloneses, que vieram para o Brasil no início dos anos 30, foi testemunha da importância do trabalho dos empreendedores determinados a crescer. Beneficiado pelo progresso dos negócios familiares, começou com uma pequena participação numa corretora de valores, passando, depois, para a área têxtil, mas achou a vida de industrial muito complicada. Concentrou-se, então, no comércio, tornando-se um bem-sucedido homem de negócios, responsável hoje pela Vale-Refeição, a segunda do ramo no Brasil, com 1,5 milhão de refeições por dia. Mas também se dedica a áreas diversificadas, como bancos, uma distribuidora de valores, turismo, imobiliárias e uma empresa de venda no atacado de matéria-prima no setor têxtil. Mas todo esse leque de atuação mais o longo tempo de dedicação aos negócios comerciais - 43 anos, segundo suas contas - não tiraram seu entusiasmo por novas iniciativas. Visitando uma Feira do Mármore em São Paulo, por exemplo, achou interessante trabalhar com esse segmento, responsável a nível mundial por um movimento de US$ 4 bilhões. "Acho que vou vender pedra", diz ele, revelando fôlego extra para quem cumpre uma extensa e rigorosa pauta de atividades como líder comercial. Neste depoimento exclusivo, Abram Szajman fala das principais tendências da estratégia empresarial no complexo e competitivo mundo dos negócios de hoje, fazendo paralelos com outras fases da História e destacando as principais características das modernas atividades comerciais: a velocidade, a eficiência, o atendimento, o conhecimento técnico e a vontade de vencer.

ANTIGAMENTE, ERA MAIS DIFÍCIL PROGREDIR

"Hoje, existe mais oportunidades de negócio do que em outras épocas, pois as atividades e o PIB brasileiro eram bem menores. Imagine o que significava trabalhar neste país nos anos 50. As pequenas empresas têm condições de desenvolver uma gestão mais rápida e eficaz, enquanto as grandes corporações têm dificuldade de caminhar e são mais amarradas. Isso torna o processo administrativo muito complicado, em que as decisões são muito demoradas. A crise é uma coisa boa na vida; ela faz você procurar caminhos novos. Depois da guerra, com todos os problemas que havia e com grande fluxo de imigração, muitos empreendedores conseguiram progredir, como é o caso do Valentim Diniz, que tinha uma padaria, quis mudar as coisas e conseguiu implantar o grupo Pão de Açúcar. Hoje, acho que os pequenos empreendedores deveriam desenvolver cada vez mais negócios em cidades menores, com menos concentração de gente e menos problemas sociais. O Brasil tem tudo para ser explorado, pois existem grandes centros de negócio não só no interior de São Paulo mas também no interior de Goiás e do Maranhão. Mesmo por aqui, não é preciso ficar na capital, basta ir para a periferia, onde é possível sobreviver até na informalidade. Sabemos que operar dentro da formalidade exige um custo que, às vezes, fica incompatível com o lucro ou a sobrevivência. Ninguém quer ajuda do poder público, mas, pelo menos, espera-se que ele não atrapalhe. A informalidade não é tão prejudicial como se fala, porque, de alguma maneira, quem produz matéria-prima até chegar à terceira geração do produto - ou na própria comercialização - já pagou os impostos antes. Então, esse pessoal consegue gerar negócios e tem um potencial de crescimento; depois é que vai entrar na formalidade. Uma costureira, por exemplo, quando corta o tecido, precisa pagar imposto? Alguém já pagou antes, na fase da tecelagem ou da tinturaria."

É PRECISO ESTAR EM SINTONIA COM AS MUDANÇAS

"O sistema de ensino tradicional precisa modernizar-se, pois os currículos escolares não têm nada a ver com a realidade brasileira, estão completamente defasados. A vivência dos bons negócios, nas empresas, em todas as atividades, é absolutamente diferente do que se ensina nas escolas. A reformulação deveria vir de decisões do Conselho Federal de Educação para mudar os currículos. É preciso sair desse impasse, pois o mundo está mudando e as pessoas precisam ter exata noção do que está acontecendo. Para ser empresário é preciso estar consciente das transformações e agredir, no bom sentido, o mercado e o consumidor. Se ele não fizer isso, fica para trás, a concorrência o ultrapassa. É preciso preparar-se na parte de tecnologia e do gerenciamento, saber acompanhar a evolução no sentido de ser prático, de ver para que lado as coisas estão andando. Existe hoje um grande problema de falta de recursos, e você precisa ter velocidade de capital, senão seu capital não agüenta. É preciso gerenciar o estoque via computador, ter funcionários bem preparados, com certa especialização, pois, se alguém comprar de maneira errada, o estoque fica parado e o empresário não gira recursos nem lucro. As grandes corporações estão fadadas a não ter muito sucesso, e o sistema todo está pulverizando-se para aumentar a velocidade de decisão. Com a terceirização, a grande companhia compra pequenas unidades do que precisa e consegue rapidez do pequeno fornecedor. No varejo, por exemplo, as lojas estão fazendo venda direta, porque o custo fica alto nos pontos tradicionais. Devemos observar as tendências da evolução do mercado, como o sistema de vender em grandes espaços divididos em pequenas lojas, quase sem custo operacional."

HOJE, ENFRENTAMOS O EMPOBRECIMENTO EMPRESARIAL

"Existe uma adaptação aos tempos, com grandes oportunidades, pois cada um pode encontrar seu próprio negócio. Quem não se adaptar desaparece. O empresário está sendo pressionado a se modernizar, principalmente agora, com a internacionalização do comércio. As empresas estrangeiras mais fortes ocupam os espaços de quem não se modernizou. Isso não acontece só no varejo mas também no atacado, na armazenagem, em qualquer área. De dez anos para cá, a vida do empresário tornou-se complicada. Para não ir à falência, muitas vezes ele se fecha no individualismo. Existe uma parcela de acomodação, que resiste às mudanças, mas há também um problema de falta de capital, que impede investimentos na área de recursos humanos, por exemplo. Por isso, entidades como o SEBRAE/SP ajudam para suprir as deficiências. Ao mesmo tempo, o SEBRAE/SP ajuda as empresas a procurarem novos caminhos. Nosso sistema é pulverizado: contratamos pessoas que têm o conhecimento para transmitir às empresas sem potencial econômico-financeiro nem disponibilidade. Temos uma estrutura enxuta, operando com custos baixos e aproveitando uma estrutura já instalada. A idéia é manter convênios com associações, universidades etc., diversificando o máximo possível a alocação de recursos. O objetivo é maximizar o repasse de conhecimentos para as empresas conseguirem bons resultados."


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