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« Memória Empresarial • ANO XXVIII - Ed. 143 (01/01/1995)

Quando o Especialista Muda de Ramo

Conseguir uma bolsa de estudos no exterior para tornar-se um superespecialista é uma tarefa relativamente fácil. O difícil é esse tipo de profissional encontrar lugar no mercado brasileiro. Mais difícil, ainda, é entender por que isso acontece. O engenheiro químico Armando Affonso Junior, que, por quatro anos, fez mestrado e doutorado em Síntese Orgânica no Centro Nacional de Estudos em Telecomunicações, em Paris, fez essa pergunta quando voltou para trabalhar.
Como transformar o conhecimento adquirido em sobrevivência e sustento para ele, a esposa francesa e dois filhos? A saída foi optar por uma idéia que surgiu da necessidade profissional da sua esposa: produzir brinquedos educativos para a escola maternal que ela queria montar em Taubaté, cidade em que a família foi morar.
Por que não aproveitar seu talento e sua formação para as artes plásticas - que lhe garantiu uma remuneração extra na sua vida parisiense - para transformar a idéia original numa indústria? Hoje, a A. Affonso Jr. Ind. e Com. de Brinquedos Educativos Ltda. - tel.: (0122) 33-2066 - produz 4 mil peças por mês e tem uma loja, "La Boutique Pedagogique", que vende os setenta produtos da empresa. O que aconteceu com todo aquele estudo? É esse paradoxo - e sua estratégia de prudente crescimento - que Armando Affonso aborda a seguir.

A MIGRAÇÃO DE UMA EXPERIÊNCIA

"Dois anos depois de ter voltado, fui convidado para trabalhar num projeto da minha especialidade. Mas, aí, já era tarde demais. Tive apoio para me formar, mas não para conseguir colocação imediata. Estava empregado na França, mas não tinha interesse em ficar.
O que me serviu do doutorado foi minha experiência múltipla num projeto que incluía não só a especialidade em engenharia química mas também outros processos. Participei da concepção de um reator e pude projetá-lo com o auxílio do computador. O contato com os físicos que trabalhavam no projeto, mais os engenheiros mecânicos, deu-me uma flexibilidade ampla para o trabalho em equipe. Isso eu aplico na minha empresa. Lá dentro, a gente forma todo mundo e estimula a criatividade de cada um. Isso é fundamental na busca de soluções adequadas para os produtos que fabricamos.
Optei pela empresa, pois, apesar das dificuldades, o Brasil é ainda a terra das oportunidades. Com pouco dinheiro e muito trabalho, é possível desenvolver um negócio por conta própria. Sem dinheiro nenhum, fica difícil e é preciso enfrentar vários obstáculos. Mas a própria escassez abre espaço para a criatividade. Minha esposa queria encontrar aqui o que existe lá em termos de material pedagógico, mas não encontrou nada similar. Foi isso que nos incentivou a investir na idéia."

BRINQUEDO EDUCATIVO DÁ TRABALHO

"Esse é um nicho pouco explorado no Brasil. Não encontrávamos produtos satisfatórios que visassem a coordenação motora da criança, que despertasse seus sentidos. Aqui, existe a idéia de que a criança deve brincar sozinha, mas, na Europa, isso é diferente. O brinquedo educativo exige a participação do adulto. Tem muito pai que olha nossos produtos e reclama, dizendo que são bons, mas dão muito trabalho.
Os brinquedos educativos de madeira, que são nossa especialidade, são muito valorizados na Europa, especialmente por uma faixa de público mais intelectualizada. Lá, existem grandes fabricantes, que oferecem uma série de opções. Nós, aqui, desenhamos e concebemos nossos produtos, que são basicamente quebra-cabeças e jogos de montar. Queremos despertar as crianças para as formas, as cores, as relações de grandeza, incentivar sua intuição para a harmonia e a simetria entre as peças.
A não ser num jogo de xadrez, que é de imbuia, utilizamos pinus e compensado extra, tipo exportação. Ainda não conseguimos um tipo especial de madeira desenvolvido na França, mas, tecnicamente, já avançamos muito e temos qualidade para exportar. Estamos utilizando tinta não-tóxica e pretendemos partir para novos tipos de material, como espumas. Fazendo peças de espumas imitando tijolos, por exemplo, uma criança pode construir e desmontar sua casa à vontade, sem se machucar."

EXPANSÃO LIMITADA PELA PRUDÊNCIA
"Meu patamar era de setecentas peças por mês, mas aumentamos para 4 mil, que é a projeção do nosso revendedor em Campinas, que está tentando colocar os brinquedos em todo o Brasil. A consultoria do SEBRAE/SP detectou a possibilidade de expandir mais a produção, pois temos um enorme potencial e estamos trabalhando para isso. Mas devo tomar cuidado, pois continuo envolvido em todo o processo de produção, e disso não posso descuidar-me. Não pretendo ter uma grande empresa. Quero crescer o suficiente para manter o toque personalizado na produção.
Existem vetores importantes para desdobrar, como jogos para adultos e, também, livros educativos infantis. Não se trata de livros de história, mas publicações muito comuns na Europa, que ensinam tudo para crianças na primeira infância. Trouxe 1,2 mil livros desses de lá, e eles ensinam desde a escola impressionista da pintura até a vida dos grandes inventores. Utilizam material variado, com grande profusão de recursos, para sensibilizar o público infantil. Isso precisa ser feito por aqui. É um tipo de publicação que ensina muita coisa para as crianças."


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