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« Memória Empresarial • ANO XXVIII - Ed. 161 (07/05/1995)

Origami Muda ao Chegar ao Brasil

Surpresa foi a reação de clientes potenciais da Europa ao tomarem conhecimento na Premier - Feira de Papelaria de Frankfurt, Alemanha, do origami brasileiro. Primeiro, porque o produto era sofisticado e tinha qualidade. Segundo, havia uma dúvida: ele poderia ser entregue no prazo? A arquiteta Bassy Arcuschin Machado, da Origami Arquitetura de Papéis www.origami.com.br – tinha munição para detonar esses dois obstáculos naturais das exportações brasileiras. Sua experiência em adaptar o origami japonês - palavra que, originalmente, quer dizer dobrar papel - começou numa viagem, em 1986, e consolidou-se a partir de 1987, quando fundou a empresa. Ela especializou-se em origamis arquitetônicos, que exigem sempre um projeto, antes de se fazerem a estrutura e a montagem dos produtos. Usando papel de primeira e exercendo rígido controle no trabalho, ela ainda criou diferenciais nas formas e no uso das cores. Fabricando, hoje, em média, 20 mil cartões distribuídos em épocas como Natal, Ano Novo, Dia dos Namorados, Dia da Criança ou Dia das Mães, ela procura, também, conquistar o fechado e exigente mercado externo. Para isso, conta com um apoio fundamental para impressionar os clientes europeus: um distribuidor na Alemanha, que garante a entrega no prazo. No depoimento a seguir, Bassy explica seus processos de produção e administração num nicho difícil, em que os negócios exigem talento, paciência e determinação.

OUVIR É UMA ESTRATÉGIA
"Trabalhei em arquitetura por mais de dez anos, gerenciando projetos numa grande firma e, ali, adquiri experiência de mercado, aprendendo como funciona um escritório, como age um profissional liberal para sobreviver. Minha experiência nasceu também do hábito de escutar as pessoas. Vou informando-me como cada um gerencia o seu próprio negócio para tocar minha microempresa, que, hoje, tem cinco funcionários. Trabalho com duas linhas de produto. Uma é de projetos especiais, solicitados pelos clientes, e outra é para ser vendida em papelaria. Lido com uma linha sazonal, em que o Natal é a data mais significativa, representando de 50 a 60% das vendas, e outra normal, sem data, relacionada com casamentos e aniversários. Um dos charmes do cartão que confeccionamos é que ele provoca surpresa e encantamento. Isso nos ajuda a vender na maioria dos estados brasileiros e em alguns lugares do exterior, como na Europa e na Argentina. Temos, ao todo, trezentos pontos-de-venda. O problema que enfrentamos no Brasil é que fica difícil planejar a produção, pois os clientes não sabem se estarão ainda no mercado até o fim do ano, na época das festas. E, se o cartão estiver pronto em junho e houver alguma modificação importante no segundo semestre, como a venda de uma subsidiária que está com o endereço impresso no nosso produto? Existe muito imediatismo, porque as empresas, aqui, acabam tendo caixa, mesmo no fim do ano e, aí, resolvem fazer os cartões. No exterior, há mais organização, mas muito distribuidor quer produção em grande escala e preço muito barato. Um empresário da Coréia falou-me que produz 5 milhões de cartões por ano."

BRIGA COM FACA E CORES

"Como produzir tanto, ainda mais gerenciando, como é o caso desse fabricante, trezentos funcionários? É claro que essa performance se consegue utilizando papel de menor qualidade e implantando um processo mais simples de produção. Por enquanto, a exportação representa apenas 5% do que fabricamos, mas nossa intenção é chegar aos 30% e fabricar entre 100 mil e 200 mil cartões por mês. Aí, sim, vou poder competir com a Coréia. No nosso caso, que trabalhamos com matéria-prima mais sofisticada, um dos gargalos da produção é o treinamento da mão-de-obra. É preciso manter o nosso pessoal afiadíssimo e ainda ensinar e formar, no futuro, uma equipe terceirizada. Se houvesse mais gente preparada, poderíamos estar produzindo muito mais. Desenvolvemos um processo próprio, adaptado e diferenciado, em relação ao original japonês. Eles têm outro jeito de fazer, que é o mecanismo de duplo corte, com um vinco na frente e outro atrás, que aqui é difícil de fazer. Eles desenvolvem, também, um cartão mais 'clean', baseado mais na forma do que nas cores e sem esconder a maneira como o origami é feito. Isso, no Brasil, dava impressão de uma coisa mal acabada. O processo que desenvolvemos começa na criação manual. Depois, a ilustração, o desenho gráfico e a parte do acabamento são feitos num computador Macintosh. Daí, sai o fotolito, que vai para a gráfica. Depois de impresso, fazemos a faca, o corte e o vinco. O produto é dobrado um a um, depois, encaixado em capas, embalado com celofane e etiquetado. No Japão, eles não usam as capas e desconhecem o sistema de corte a faca que eu desenvolvi."

ESPECULAÇÃO COM O PAPEL

"Montei a microempresa com a ajuda do SEBRAE/SP, que também deu orientação segura sobre exportações. Hoje, a política cambial não favorece as vendas no exterior, mas continuamos com nosso trabalho de formiguinha lá fora, querendo entrar no mercado americano. Existem problemas graves, como a especulação com papel. De novembro até fevereiro, alguns papéis aumentaram 50%. Tem gente que segura a matéria-prima no estoque para conseguir valorizá-la."


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