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« Memória Empresarial • ANO XXVIII - Ed. 462 (11/02/2001)

Benefício Itinerante

Nem sempre cesta básica e vale-transporte são suficientes para suprir as necessidades básicas do trabalhador brasileiro. É preciso pensar em dar a ele melhores condições de compreender o mundo e a sua atividade profissional. Isso se faz por meio da alfabetização, uma vez que saber ler e escrever deve ser encarado como um direito de todo cidadão e também uma ferramenta preciosa para melhorar a qualidade dos serviços prestados. Se o governo não dá conta do recado, o empresário precisa ter consciência da sua responsabilidade social e colaborar para o crescimento da sua empresa e do País. Quem dá uma lição de vida nesse sentido é Ana Luiza Franciscone, diretora da Rhumo Assessoria Pedagógicawww.mpmg.com.br. Em depoimento exclusivo, ela fala sobre a experiência de alfabetizar operários da construção civil no próprio canteiro de obras.

MÉTODO
"O projeto nasceu dentro de uma construtora de grande porte há treze anos, onde eu trabalhava na sua idealização e coordenação. Fizemos um levantamento sobre o tempo de duração de uma obra, incluindo os diversos profissionais que entravam em cada fase da construção. Com base nesses dados, procuramos montar um conteúdo equivalente aos quatro primeiros anos do ensino básico. Ao deixar a empresa, há quatro anos, investi na Rhumo para levar essa prestação de serviço ao mercado, de forma independente. O negócio começou a andar em 1999, quando firmamos uma parceria com o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), por intermédio do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil (Sitracon). Com a liberação de uma verba de R$ 63 mil, escolhemos algumas construtoras e formamos 220 operários em cinco meses. Todos saíram alfabetizados, com o certificado da quarta série. Não funcionamos como escola, mas sim como uma assessoria educacional. Depois do curso, levamos os alunos à Secretaria da Educação para terem o seu estudo reconhecido legalmente, com direito à admissão na quinta série. Com o sucesso dessa primeira experiência, partimos para o treinamento de professores e para a criação de um método próprio apostilado."

VANTAGENS
"Todas as construtoras hoje estão em busca do Certificado ISO 9000 e, para isso, os operários necessitam incorporar os procedimentos que vão levar à qualidade total. Não é justo fazer isso utilizando sinais impressos, pois estamos lidando com pessoas que precisam compreender a sua linguagem. Melhor do que aprender a ler ou a escrever é poder entender a ordem dada direta por um engenheiro, sem ter que passar por intermediários. O retorno do nosso esforço educacional vai ao encontro disso e pode ser visto a olho nu, na gratidão do funcionário que sabe que não será mais um ininpregável, porque, na verdade, somos um país de analfabetos excluindo analfabetos. O empresário ganha na qualidade, na fidelidade e o desperdício vai sendo eliminado como conseqüência desse processo de aprendizagem. Também o índice de faltas diminui, assim como problemas com bebida. São fatores sociais que refletem diretamente no desempenho da empresa. Temos um corpo docente especializado, composto de quinze professores, que já atendeu dez construtoras."

PAPEL SOCIAL
"A construção civil é um ramo de alta rotatividade, portanto, é preciso que esses funcionários saiam melhores do que entraram, para que as empresas possam cumprir a sua função social. Não adianta jogar a culpa no governo pela carência educacional do País como muitos empresários, achando que já fazem a sua parte e não têm nada com isso. Se cada um tentar resolver o seu problema, resolve-se o todo. Estima-se que 60% da população da construção civil presente em uma obra seja completamente analfabeta. Se houver a iniciativa de colocar 25 cadeiras em uma sala ao lado, pode-se solucionar isso em pouco tempo e a um custo baixo. Para se ter uma idéia, gasta-se em torno de R$ 26 mil para formar cerca de 25 a 50 alunos durante o período de oito meses. Trata-se de um nicho de mercado bastante interessante para os educadores, que podem aplicar essa metodologia em outros segmentos que utilizam mão-de-obra carente de alfabetização. Estamos também com planos para montar as outras séries que complementam o Primeiro Grau."


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